Entrevista com Ítalo Reis – Amazônia Inteligente
Enquanto o mundo acelera a corrida tecnológica em torno da inteligência artificial, a Amazônia começa a discutir qual lugar pretende ocupar nesse novo mapa econômico global. O evento Amazônia Inteligente, organizado por Ítalo Reis e Vania Thaumaturgo, surge nesse contexto como uma tentativa de aproximar formação tecnológica, inovação regional e desenvolvimento sustentável.
Com trilhas voltadas à inteligência artificial, automação, inovação e novos modelos de negócios, a iniciativa busca preparar profissionais, empresas e estudantes para uma economia cada vez mais orientada por dados e sistemas inteligentes. Mais do que acompanhar tendências globais, o projeto propõe uma reflexão sobre como a Amazônia pode construir soluções próprias, alinhadas aos seus desafios territoriais, ambientais e sociais.
Em entrevista ao Brasil Amazônia Agora com nosso editor- geral Alfredo Lopes, Ítalo Reis fala sobre capacitação, soberania tecnológica, oportunidades econômicas e o papel estratégico da região na nova economia digital.

A inteligência artificial deixou de ser um tema restrito às grandes empresas de tecnologia e passou a influenciar praticamente todos os setores econômicos. Qual é hoje o principal objetivo do Amazônia Inteligente?
ÍTALO REIS – Nosso principal objetivo é democratizar o acesso ao conhecimento sobre inteligência artificial e preparar a Amazônia para participar ativamente dessa transformação global. A IA já está impactando indústria, comércio, educação, saúde, comunicação e gestão pública. Não podemos permitir que a região fique apenas observando essas mudanças acontecerem em outros centros.
O Amazônia Inteligente nasce justamente para criar pontes entre tecnologia, formação profissional, empreendedorismo e desenvolvimento regional. Queremos estimular talentos locais, fortalecer o ecossistema de inovação e mostrar que a Amazônia também pode produzir soluções tecnológicas relevantes.
Muito se fala sobre a Amazônia como patrimônio ambiental do planeta. O evento propõe também uma Amazônia tecnológica?
ÍTALO REIS – Sem dúvida. A Amazônia não pode ser vista apenas como um território de preservação ou de contemplação ambiental. Existe aqui uma população jovem, criativa, empreendedora e com enorme capacidade de inovação.
Quais benefícios concretos essas trilhas podem trazer para estudantes, profissionais e empresas da região?
ÍTALO REIS – As trilhas oferecem capacitação prática e contato direto com ferramentas e metodologias que já estão sendo utilizadas no mercado. Isso amplia a empregabilidade, estimula novos negócios e ajuda empresas locais a entenderem como incorporar IA em seus processos.
Existe também um efeito estratégico importante. Quando fortalecemos competências tecnológicas na região, reduzimos dependência externa e criamos condições para o surgimento de startups, soluções regionais e novos modelos econômicos ligados ao conhecimento.
A Amazônia corre o risco de ficar à margem dessa nova economia digital?
ÍTALO REIS – Esse risco existe se não houver investimento em formação, conectividade e construção de ecossistemas de inovação. O mundo vive hoje uma transformação comparável às grandes revoluções industriais. Quem não se preparar tende a ampliar desigualdades.
Por outro lado, a Amazônia possui vantagens competitivas importantes. Temos biodiversidade, desafios complexos que exigem soluções inovadoras, centros de pesquisa, universidades e uma nova geração muito conectada às transformações digitais. O que precisamos é integrar esses ativos.

Como você imagina a Amazônia daqui a dez anos no contexto da inteligência artificial?
ÍTALO REIS – Imagino uma Amazônia mais conectada, produzindo tecnologia, formando talentos e participando de cadeias globais de inovação sem abrir mão de sua identidade e de seus compromissos ambientais.
A inteligência artificial pode ajudar a gerar oportunidades, melhorar serviços públicos, aumentar produtividade e fortalecer uma economia baseada em conhecimento e sustentabilidade. O mais importante é garantir que essa transformação aconteça com protagonismo regional.
A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante. Ela começa a redefinir economias, profissões e modelos de desenvolvimento em escala global. Inserir a Amazônia nesse debate significa ampliar horizontes para uma região que historicamente esteve distante dos grandes centros de decisão tecnológica.
Mais do que um evento, o Amazônia Inteligente ajuda a sinalizar uma mudança de postura. A floresta continua sendo patrimônio ambiental estratégico, mas passa também a reivindicar espaço como território de inovação, ciência e inteligência aplicada ao futuro

