Pesquisadores do CBA desenvolvem biossensor com microalgas capaz de emitir alertas rápidos sobre poluição em rios, contribuindo para decisões mais ágeis na gestão ambiental e na saúde pública.
O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) está desenvolvendo uma tecnologia que pode transformar o monitoramento da qualidade da água na região, trata-se de um biossensor com microalgas que combina biotecnologia e inteligência artificial para detectar contaminantes em tempo real.
A iniciativa integra o Programa Aqua CT&I, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), com foco em recursos hídricos e mudanças climáticas. O sistema utiliza um minifotobiorreator inteligente, onde microalgas atuam como bioindicadores naturais.
Esses organismos apresentam respostas rápidas a substâncias tóxicas, como metais pesados e pesticidas. Ao serem expostas a amostras de água coletadas em campo, alterações em seu metabolismo são captadas por sensores, permitindo identificar possíveis sinais de poluição.
Para isso, o equipamento monitora parâmetros físico-químicos e biológicos, como fluorescência da clorofila, oxigênio dissolvido, pH, condutividade e turbidez. A integração desses dados, aliada a sistemas automatizados e à análise por inteligência artificial, possibilita a emissão de alertas quase imediatos sobre alterações na qualidade da água.
Um dos principais diferenciais da tecnologia está na velocidade de resposta. Enquanto métodos convencionais dependem de análises laboratoriais complexas e demoradas, o biossensor com microalgas pode indicar sinais de toxicidade em poucos minutos, em alguns casos, entre 5 e 15 minutos. A proposta é que o dispositivo funcione como uma primeira linha de detecção, orientando quando análises mais detalhadas devem ser realizadas em laboratório.
Além da agilidade, o modelo também apresenta vantagens operacionais. Após implantado, o custo por leitura tende a ser reduzido, o que favorece a aplicação em monitoramento contínuo e em larga escala, especialmente em regiões remotas da Amazônia, onde o acesso a laboratórios é limitado.
O projeto é liderado pelo pesquisador Daniel Nascimento Motta, com atuação em biotecnologia e ciência de dados, em parceria com o engenheiro Jadson Maciel, especialista em controle e automação. A proposta reflete a convergência entre diferentes áreas do conhecimento para enfrentar desafios ambientais complexos.

“Ao permitir o monitoramento contínuo e em tempo real, o biossensor amplia a capacidade de prevenção, contribuindo para a proteção dos ecossistemas aquáticos, da biodiversidade e da saúde das populações que dependem diretamente desses recursos”, afirmou Motta.
Após a validação em laboratório, o protótipo será testado em ambientes reais, incluindo áreas sob influência urbana e industrial. A expectativa é que o biossensor com microalgas contribua não apenas para a vigilância ambiental, mas também para o fortalecimento da bioeconomia na região.
“Ao avançarmos no desenvolvimento de uma tecnologia como essa, estamos também estruturando um produto com potencial de aplicação prática e escalável. Isso abre oportunidades para novos negócios no contexto da bioeconomia amazônica, gerando valor a partir da biodiversidade e contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida das populações da região”, destacou o diretor-geral do CBA, Márcio Miranda.
