Degradação da Amazônia reduz diversidade e torna floresta mais vulnerável

Estudo com 20 anos de dados mostra que a degradação da Amazônia altera a composição das espécies, reduz a biodiversidade e aumenta a vulnerabilidade da floresta a eventos extremos.

Um estudo recente mostra que, mesmo diante de incêndios, secas severas e tempestades de vento, áreas afetadas pela degradação da Amazônia conseguem se regenerar. No entanto, essa recuperação ocorre sob novas condições ecológicas, marcadas pela redução da diversidade de espécies e pelo aumento da vulnerabilidade da floresta a novos eventos extremos.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores brasileiros, teve como base duas décadas de monitoramento em campo. O estudo revela que, após os distúrbios, espécies mais sensíveis tendem a desaparecer, sendo substituídas por plantas generalistas, mais resistentes, porém menos diversas. O resultado é a formação de florestas mais homogêneas, com menor complexidade biológica.

Apesar dessas mudanças, não foram identificados sinais de transição para um ecossistema de savana, a chamada savanização, hipótese frequente levantada em modelos climáticos. Segundo os cientistas, a estrutura florestal se recompõe ao longo do tempo, especialmente em áreas internas, onde a regeneração ocorre de forma mais rápida.

Área de reflorestamento na Amazônia com mudas em crescimento, representando iniciativas de recuperação após a degradação da Amazônia.
Projetos de reflorestamento buscam reverter os impactos da degradação da Amazônia e restaurar a biodiversidade do bioma. Foto: The Nature Conservancy

Nas bordas, porém, o cenário é mais crítico. A proximidade com áreas abertas, como pastagens e lavouras, intensifica os impactos ambientais e reduz a diversidade de espécies. Nessas regiões, a perda pode chegar a quase metade da riqueza original ao longo dos anos, refletindo os efeitos persistentes da degradação da Amazônia.

Outro fator relevante é a presença de gramíneas invasoras, que favorecem a propagação de incêndios mais intensos e dificultam a regeneração inicial da vegetação. Com o avanço da cobertura arbórea, essas gramíneas tendem a diminuir, mas deixam marcas no processo de recuperação.

O estudo também destaca que, embora alguns serviços ecossistêmicos sejam restabelecidos, como a absorção de carbono e a regulação da água, a floresta regenerada opera em condições mais frágeis. O aumento da frequência de eventos extremos, impulsionado pelas mudanças climáticas, agrava esse quadro.

Além disso, características das espécies que passam a predominar, como madeira menos densa e casca mais fina, tornam a vegetação mais suscetível a danos causados por fogo, vento e estiagens prolongadas. Os pesquisadores ressaltam ainda o papel da fauna na recuperação da floresta. Animais como aves e mamíferos contribuem para a dispersão de sementes e favorecem o retorno de espécies mais especializadas, essenciais para a manutenção da biodiversidade.

Embora os resultados indiquem uma capacidade de regeneração significativa, o avanço da degradação da Amazônia e a intensificação das mudanças climáticas colocam limites para essa resiliência. Nesse contexto, a preservação das áreas intactas e o controle de distúrbios continuam sendo estratégias fundamentais para garantir o equilíbrio do bioma amazônico.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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