Avanço acelerado das renováveis, liderado pela energia solar, reforça a transição energética global e expõe desigualdades regionais na adoção de fontes limpas.
As fontes renováveis estão cada vez mais próximas de alcançar os combustíveis fósseis na capacidade global de geração de eletricidade, em um movimento que reforça a transição energética global. Em 2025, elas atingiram 49,4% da matriz elétrica mundial, avanço significativo em relação aos 46,3% registrados no ano anterior.
Os dados são do relatório Estatísticas da Capacidade Renovável 2026, divulgado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). Segundo o levantamento, a capacidade instalada global de energias renováveis chegou a 5.149 gigawatts (GW), com a adição de 692 GW ao longo do ano, o maior crescimento já registrado.
O avanço foi impulsionado principalmente pela energia solar, que consolidou sua posição como a fonte renovável de maior expansão no mundo. Ela respondeu por cerca de três quartos da nova capacidade adicionada em 2025, com 510 GW instalados. Já a energia eólica ocupou o segundo lugar, com incremento de 159 GW, volume superior à expansão total das fontes fósseis, que somaram 116 GW no mesmo período.
No total, as energias renováveis representaram 85% de toda a nova capacidade elétrica adicionada globalmente em 2025, evidenciando uma mudança estrutural alinhada à transição energética global.
A expansão, no entanto, não ocorreu de forma homogênea entre as regiões. A Ásia manteve a liderança, concentrando aproximadamente 75% da nova capacidade instalada, o equivalente a 511 GW, e registrando crescimento de 21%. Em contraste, a África alcançou sua maior taxa histórica de expansão, 15,9%, mas ainda com volume absoluto reduzido, somando 11,3 GW, com destaque para países como Etiópia, África do Sul e Egito.
Já a América Central e o Caribe adicionaram 21 GW em capacidade renovável, mas apresentaram o menor crescimento percentual em comparação a 2024, indicando desafios estruturais na ampliação dessas fontes.
O relatório também chama atenção para as desigualdades persistentes entre países e regiões. Segundo a IRENA, economias com menor participação de renováveis seguem mais vulneráveis a oscilações geopolíticas e crises energéticas.
Para o diretor-geral da agência, Francesco La Camera, o avanço contínuo das energias renováveis demonstra não apenas uma tendência de mercado, mas um caminho estratégico para aumentar a resiliência econômica. “Um sistema de energia mais descentralizado, com uma parcela crescente de energias renováveis e mais participantes do mercado, é estruturalmente mais resiliente”, afirmou.
O cenário reforça que a transição energética global já está em curso e que sua aceleração será decisiva diante de um contexto internacional marcado por incertezas e tensões geopolíticas.