Expedição revela 50 sítios arqueológicos e reescreve a ocupação humana na Amazônia

Descobertas no rio Japurá revelam impactos históricos e ambientais e reforçam a importância da ocupação humana na Amazônia para a conservação do território.

Uma expedição científica identificou 50 sítios arqueológicos no oeste do Amazonas, ao longo do rio Japurá, em uma região próxima à fronteira com a Colômbia. Os vestígios reforçam a presença histórica de populações na região e ajudam a reconstruir diferentes períodos da ocupação humana na Amazônia.

A pesquisa foi conduzida entre os dias 9 de fevereiro e 2 de março por especialistas do Instituto Mamirauá, que percorreram cerca de 200 quilômetros no Alto Japurá. Durante o trabalho de campo, foram registrados elementos como gravuras rupestres, fragmentos de cerâmica, áreas de terra preta, fontes de matérias-primas e até mesmo artefatos relacionados ao Ciclo da Borracha.

Imagens que evidenciam marcas concretas da ocupação humana na Amazônia.
Foto: Divulgação

Esse período, considerado um dos marcos econômicos da história regional, teve auge entre o fim do século XIX e o início do século XX, quando a exploração da borracha chegou a representar metade da economia do Amazonas. Vestígios dessa fase também foram identificados durante a expedição, ampliando a compreensão sobre a dinâmica histórica da ocupação humana na Amazônia.

A iniciativa integra uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e busca reunir informações ambientais, arqueológicas e socioculturais para orientar políticas públicas. O objetivo é subsidiar estratégias de conservação e definir a destinação de áreas de floresta ainda sem proteção formal, além de valorizar o patrimônio histórico amazônico. Os dados coletados serão sistematizados em um relatório que será encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O projeto também destaca o papel central das comunidades locais. Indígenas e ribeirinhos participaram ativamente da expedição, guiando as equipes e compartilhando conhecimentos sobre a região. Segundo os pesquisadores, esses saberes são fundamentais para a identificação e interpretação dos sítios arqueológicos e para aprofundar o entendimento sobre a ocupação humana na Amazônia.

Além do Instituto Mamirauá e do ministério, a iniciativa reúne instituições nacionais e internacionais, como o Field Museum of Natural History, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Amazon Conservation Team.

Os primeiros resultados do levantamento já foram apresentados em Manaus, em março, e devem orientar novas etapas da pesquisa, aprofundando o conhecimento sobre a história humana na Amazônia e suas implicações para a conservação da floresta.

Área no oeste do Amazonas onde pesquisadores identificaram vestígios que ajudam a reconstruir a ocupação humana na Amazônia.
Foto: Divulgação.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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