Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima diz haver suspeita de organização por trás do fogo; força-tarefa abre 120 procedimentos para apurar incêndios no Amazonas, enquanto fumaça prejudica qualidade do ar em Manaus.
A suspeita de que os incêndios no Amazonas sejam provocados de forma coordenada mobiliza forças de segurança e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). As equipes da força-tarefa já registraram 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência para apurar possíveis condutas criminosas relacionadas ao fogo no estado.
Em entrevista coletiva em Manaus, nesta quarta-feira (14), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, atribuiu os focos à ação humana e anunciou o aprofundamento das investigações para identificar os responsáveis.
“Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade”, disse.
A apuração dos incêndios no Amazonas reúne as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do estado, com apoio de outras forças de segurança. A participação da Abin busca esclarecer se existe articulação entre os responsáveis.
“Existe uma suspeita de ação organizada. Por isso, além de todos os que estão aqui, todas as investigações, também temos a participação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, para verificar se está se repetindo aqui o que ocorreu em outro momento no chamado ‘Dia do Fogo”, completou.
Fumaça interrompe aulas em Manaus
A fumaça dos incêndios no Amazonas afeta a rotina da população e levou à interrupção de atividades em cidades do estado. Na capital, a deterioração da qualidade do ar motivou a suspensão das aulas presenciais na rede municipal, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).
Segundo Capobianco, o combate ao fogo nas proximidades de Manaus avançou, mas a fumaça de áreas mais distantes continua chegando à cidade. A circulação dos ventos favorece a concentração dos poluentes sobre a capital, o que dificulta prever quando haverá melhora.
O ministro afirmou que espera uma redução da fumaça nos próximos dias, embora essa evolução dependa das condições meteorológicas e do controle dos focos que permanecem ativos.
Estado ainda tem oito incêndios ativos
Dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apontam que 292 incêndios foram extintos no estado desde o início da temporada. Outros oito continuam ativos.
Capobianco relatou uma queda nos eventos de fogo após o reforço das operações contra os incêndios no Amazonas, mas avaliou que o cenário ainda é grave. A persistência da fumaça exige a continuidade da mobilização.
A estrutura federal disponibilizada ao estado inclui 11 aeronaves, seis delas destinadas ao combate direto, com lançamento de água. Entre os equipamentos estão um avião KC-390, capaz de transportar grandes volumes de água, três helicópteros e uma aeronave Caravan para apoio logístico.
Os helicópteros também transportam brigadistas e equipamentos, permitindo o deslocamento até regiões de difícil acesso. Em campo, 290 brigadistas participam das operações e outros 40 profissionais federais estão a caminho para reforçar as equipes.
No domingo (11), Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram o estado e identificaram fogo em áreas florestais com acesso limitado, uma das dificuldades enfrentadas no combate.
Responsáveis podem sofrer multas e prisão
Conforme o enquadramento da infração, quem provoca incêndios florestais pode receber multas administrativas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração atingida.
As sanções também podem incluir embargo das áreas e apreensão de equipamentos. Além das medidas administrativas, os envolvidos estão sujeitos à responsabilização criminal, com possibilidade de prisão.