Animais do fundo do mar: 50 espécies estranhas que desafiam a ciência

Conheça os animais do fundo do mar que vivem sem luz, sob pressão extrema, e desenvolveram adaptações únicas para sobreviver nas regiões mais profundas do oceano.

Abaixo da superfície do oceano existe um mundo que desafia a lógica da vida na Terra. Sem luz, sob pressões esmagadoras e temperaturas extremas, os animais do fundo do mar desenvolveram adaptações surpreendentes, muitas delas dignas de ficção científica. Antes de conhecer os animais do fundo do mar, vale entender onde eles vivem. O oceano é dividido em zonas de profundidade que mudam drasticamente conforme a luz desaparece, a temperatura cai e a pressão aumenta.

Na chamada zona da luz, próxima à superfície, ainda há sol suficiente para sustentar a maior parte da vida marinha. Mas, à medida que se desce, o cenário muda rapidamente: a luz some, o frio se intensifica e a pressão se torna esmagadora.

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Foto: Max Gotts/Unsplash

Na zona da meia-noite, por exemplo, a escuridão é total e muitas espécies produzem sua própria luz para sobreviver. Já na zona abissal, a mais de 4 mil metros de profundidade, a vida depende quase exclusivamente de restos orgânicos que descem lentamente das camadas superiores. E nas fossas oceânicas, na zona hadal, estão alguns dos ambientes mais extremos e inexplorados do planeta.

É nesses cenários que vivem alguns dos animais mais estranhos já registrados, criaturas que desenvolveram estratégias surpreendentes para existir onde, à primeira vista, a vida pareceria impossível.

Zona da Meia-Noite

Nesta profundidade, a luz solar não existe. Para sobreviver, muitas criaturas recorrem à bioluminescência, produzindo sua própria luz para atrair presas, se comunicar ou confundir predadores.

Peixe “Diabo negro” (Melanocetus johnsonii)

Famoso principalmente pela cena em Procurando Nemo e também pela “lanterna” biológica que usa para atrair presas na escuridão total. Os machos são muito menores que as fêmeas e vivem como parasitas acoplados a elas.

Peixe "Diabo negro" (Melanocetus johnsonii)
Foto: Museo de Naturaleza y Arqueología, en Tenerife (MUNA)

Phronima (Phronima sedentaria)

Um pequeno crustáceo translúcido que consome o interior de salpas e transforma a carcaça em um “berçário” flutuante para seus ovos.

Phronima (Phronima sedentaria)
Foto: Jackson W.F. Chu

Olho-de-Vidro (Hoplostethus atlanticus)

Pode viver até 200 anos. Espécies das profundezas costumam ter metabolismo lento, o que contribui para sua longevidade.

Olho-de-Vidro (Hoplostethus atlanticus)
Foto: © NOAA Photo Library

Anêmona-Vênus (Actinoscyphia aurelia)

Diferente das anêmonas comuns, fecha-se rapidamente sobre a presa, funcionando como uma armadilha.

Anêmona-Vênus (Actinoscyphia aurelia)
Foto: NOAA/MBARI.

Peixe-Bolha (Psychrolutes marcidus)

Fora da água, parece uma massa gelatinosa. Essa aparência resulta da baixa densidade muscular, uma adaptação à pressão extrema do oceano profundo.

Peixe-Bolha (Psychrolutes marcidus)
À esquerda, imagem do peixe em seu habitat natural. Esquerda imagem do peixe ferido fora d’água. Foto: Divulgação.

Tubarão-Cobra (Chlamydoselachus anguineus)

Com corpo alongado e dentes em forma de agulha, é considerado uma espécie primitiva que mudou pouco ao longo de milhões de anos.

Tubarão-Cobra (Chlamydoselachus anguineus)
Foto: © Citron

Tubarão-Duende (Mitsukurina owstoni)

Dentre os animais do fundo do mar, é conhecido como um “fóssil vivo” com mandíbulas que se projetam para fora do rosto, capturando presas rapidamente.

Tubarão-Duende (Mitsukurina owstoni)
Foto: Dianne Bray / Museum Victoria

Peixe-Machadinha (Sternoptyx diaphana)

Seu corpo fino e prateado ajuda na camuflagem. Os olhos voltados para cima detectam silhuetas contra a luz residual.

Peixe-Machadinha (Sternoptyx diaphana)
Foto: Blog do Pescador

Peixe-Dragão (Grammatostomias flagellibarba)

Predador com dentes enormes que produz luz vermelha — invisível para a maioria das espécies — funcionando como uma “lanterna invisível”.

Peixe-Dragão (Grammatostomias flagellibarba)
Foto: Getty
Peixe-Dragão (Grammatostomias flagellibarba)
Imagem: Christopher Kenaley

Água-viva Vermelha (Tiburonia granrojo)

Usa o vermelho como camuflagem, já que essa cor desaparece rapidamente conforme a luz se dissipa na água.

Água-viva Vermelha (Tiburonia granrojo)
Foto: NOAA/Monterey Bay Aquarium Research Institute

Alabote-da-Groenlândia (Reinhardtius hippoglossoides)

Sua morfologia, com o olho esquerdo posicionado na crista dorsal da cabeça, dá a impressão de um “ciclopes” quando visto de frente. Essa posição central amplia o campo de visão periférica em comparação a outros peixes planos.

Alabote-da-Groenlândia (Reinhardtius hippoglossoides)
Foto: DESCNA.

Verme-Tubo-Gigante (Riftia pachyptila)

Vive próximo a fontes hidrotermais e não possui boca nem estômago, dependendo de bactérias internas para gerar energia.

Verme-Tubo-Gigante (Riftia pachyptila)
Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute (CC BY-NC-SA 4.0

Lula-Joia (Histioteuthis bonnellii)

Possui olhos de tamanhos diferentes: o maior detecta silhuetas acima, enquanto o menor capta luz bioluminescente ao redor.

Lula-Joia (Histioteuthis bonnellii)
Foto: Richard E. Young

Polvo-Telescópio (Amphitretus pelagicus)

Quase transparente, tem olhos tubulares que podem girar, ampliando o campo de visão.

Polvo-Telescópio (Amphitretus pelagicus)
Foto: Flamingo Natupark.
Polvo-Telescópio (Amphitretus pelagicus)

Isópode-Gigante (Bathynomus giganteus)

Parente gigante do tatuzinho-de-jardim. Em cativeiro, um exemplar chegou a sobreviver cinco anos sem se alimentar.

Isópode-Gigante (Bathynomus giganteus)
Foto: Eric A. Lazo-Wasem.

Tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus)

O vertebrado mais longevo conhecido, podendo ultrapassar 400 anos. Nada lentamente para economizar energia.

Tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus)
Foto: Divulgação.

Lula-Colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni)

Maior invertebrado do mundo, permaneceu desconhecido por mais de um século. Pode atingir cerca de 10 metros e 700 kg, com tentáculos equipados com ganchos giratórios.

Lula-Colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni)
Foto: Daniel Aplin

Peixe-olhos-de-barril (Macropinna microstoma)

Possui cabeça transparente e olhos tubulares que permitem enxergar acima sem se expor totalmente.

Peixe-olhos-de-barril (Macropinna microstoma)
Foto: mbari.org

Quimeras (Chimaeriformes)

Conhecidas como “peixes-fantasma”, apresentam sensores capazes de detectar campos elétricos na escuridão.

Quimeras (Chimaeriformes)
Foto: SEFSC Pascagoula Laboratory; Collection of Brandi Noble, NOAA/NMFS/SEFSC

Verme-Lula (Teuthidodrilus samae)

Usa apêndices semelhantes a tentáculos para coletar “neve marinha”, detritos orgânicos que caem da superfície.

Verme-Lula (Teuthidodrilus samae)
Foto: Natgeo

Grande-Engolidor (Chiasmodon niger)

Possui estômago altamente expansível, capaz de acomodar presas maiores que seu próprio corpo.

Grande-Engolidor (Chiasmodon niger)
Foto: Emőke Dénes

Peixe-Víbora (Chauliodus sloani)

Seus dentes são tão grandes que ficam expostos, curvando-se para fora da boca.

Peixe-Víbora (Chauliodus sloani)
Foto: NOAA Ocean Exploration, 2025 Beyond the Blue

Caracol-de-Pés-Escamosos (Chrysomallon squamiferum)

Vive em fontes hidrotermais e desenvolveu uma espécie de armadura metálica natural, uma raridade entre os animais do fundo do mar.

Caracol-de-Pés-Escamosos (Chrysomallon squamiferum)
Foto: David Shale

Lula-Vampiro (Vampyroteuthis infernalis)

O nome vem da membrana que liga seus tentáculos, formando uma espécie de “capa” que lembra um vampiro. Apesar disso, não caça presas vivas, alimenta-se principalmente de detritos orgânicos.

Lula-Vampiro (Vampyroteuthis infernalis)
Foto: Emőke Dénes

Holotúria-Galinha-Sem-Cabeça (Enypniastes eximia)

Um pepino-do-mar nadador de aparência incomum que filtra sedimentos do fundo.

Holotúria-Galinha-Sem-Cabeça (Enypniastes eximia)
Foto: © NOAA Ocean Exploration & Research

Verme-Zumbi (Osedax mucofloris)

Pequenos vermes que se alimentam de ossos de baleias mortas, liberando ácidos para acessar os nutrientes internos.

Verme-Zumbi (Osedax mucofloris)
Foto: Phillipe Crassous/ Science Photo Library

Peixe-Pelicano (Eurypharynx pelecanoides)

Possui uma boca enorme e expansível, mas um estômago pequeno, o que limita o tamanho das refeições.

Peixe-Pelicano (Eurypharynx pelecanoides)
Foto: Alexei Orlov

Peixe-Semáforo (Malacosteus niger)

Produz luz vermelha invisível para outras espécies, funcionando como uma “lanterna secreta” para caçar.

Peixe-Semáforo (Malacosteus niger)
Foto: NOAA Northeast Fisheries Science Center

Esponja-Harpa (Chondrocladia lyra)

Uma esponja carnívora cujos ramos cobertos por ganchos capturam pequenos crustáceos.

Esponja-Harpa (Chondrocladia lyra) 2
Esponja-Harpa (Chondrocladia lyra) 2

Tubarão-Cortador-de-Biscoitos (Isistius brasiliensis)

Remove pedaços circulares de carne de animais maiores, deixando marcas características com furos de formas de biscoito.

Tubarão-Cortador-de-Biscoitos (Isistius brasiliensis)
Tubarão-Cortador-de-Biscoitos (Isistius brasiliensis)

Peixe-Lagarto (Bathysaurus ferox)

Predador de emboscada com dentes afiados até na língua, a espécie é também hermafrodita.

Peixe-Lagarto (Bathysaurus ferox)
Foto: Gonzalo Mucientes Sandoval

Peixe-Baleia (Cetomimidae)

Apresenta formas tão distintas entre machos, fêmeas e juvenis que já foram classificados como famílias diferentes.

Peixe-Baleia (Cetomimidae)
Foto: MBARI.

Merluza-Negra (Dissostichus eleginoides)

Possui proteínas anticongelantes no sangue, permitindo sobreviver em águas próximas de zero grau.

Merluza-Negra (Dissostichus eleginoides)
Foto: Domínio Público.

Polvo-Dumbo (Grimpoteuthis)

Recebeu esse nome pelas nadadeiras que lembram orelhas, usadas para nadar suavemente.

Polvo-Dumbo (Grimpoteuthis)
Foto: NOAA Okeanos Explorer

Zona Abissal

Esta zona se estende de 4.000 a 6.000 metros de profundidade. A pressão é extrema e a água permanece próxima do congelamento. Nesse ambiente extremo, os animais do fundo do mar dependem principalmente de matéria orgânica que desce lentamente das camadas superiores.

Água-viva Atolla (Atolla wyvillei)

Quando atacada, emite flashes de luz azul em forma circular, criando um efeito semelhante a um “alarme” que atrai predadores maiores.

Água-viva Atolla (Atolla wyvillei)
Foto: Super Interessante.

Porco-do-Mar (Scotoplanes)

Pepino-do-mar que caminha pelo fundo em grupos, filtrando nutrientes da lama.

Scotoplanes globosa and crab 1
Foto: NOAA/MBARI

Tubarão-Boca-Grande (Megachasma pelagios)

Nada com a boca aberta para filtrar plâncton e medusas.

Tubarão-Boca-Grande (Megachasma pelagios)
Foto: Divulgação/UFAL/Cláudio Sampaio

Peixe-Presas (Anoplogaster cornuta)

Seu nome se deve ao fato de que possui dentes desproporcionalmente grandes em relação ao corpo.

Peixe-Presas (Anoplogaster cornuta)
Foto: 2004 MBARI.

Peixe-Tripé (Bathypterois grallator)

Usa extensões das barbatanas como apoio, permanecendo imóvel enquanto espera alimento.

Peixe-Tripé (Bathypterois grallator)
Foto: NOAA Office of Ocean Exploration and Research

Camarão-Caridea (Caridea)

Como característica adaptativa, muitas espécies perderam a visão, mas desenvolveram antenas altamente sensíveis, como é o caso do camarão-caridea.

Camarão-Caridea (Caridea)
Foto: Zoo keys.

Peixe-Sem-Rosto (Typhlonus nasus)

Não possui olhos visíveis e a boca fica na parte inferior da cabeça, criando a impressão de um rosto ausente.

Peixe-Sem-Rosto (Typhlonus nasus)
Foto: NOAA/Photo Library.

Anfípode-Gigante (Alicella gigantea)

O maior anfípode do planeta, um exemplo do chamado gigantismo abissal. Pesquisas recentes que a espécie habita a maior parte dos oceanos do mundo.

Anfpode Alicella gigantea scaled 1
Foto: Hadal Zone/Wikimedia Commons

Ofiuroide (Ophiuroidea)

Parente das estrelas-do-mar, com braços longos e flexíveis usados para locomoção e alimentação.

Ophiura ophiura
Foto: Hans Hillewaert

Peixe-Aranha-Abissal (Ipnops murrayi)

Em vez de olhos, apresenta placas sensíveis à luz no topo da cabeça.

Peixe-Aranha-Abissal (Ipnops murrayi)
Foto: NOAA Office of Ocean Exploration and Research

Zona Hadal

As fossas oceânicas mais profundas da Terra. Mais pessoas já estiveram na Lua do que nessas regiões, consideradas as mais inexploradas do planeta.

Peixe-Granadeiro (Coryphaenoides armatus)

Alimenta-se de restos orgânicos que chegam ao fundo das fossas.

Peixe-Granadeiro (Coryphaenoides armatus)
Foto: NOAA/MBARI

Quíton-Hadal (Leptochiton)

Molusco adaptado para sobreviver em pressões extremas.

Quíton-Hadal (Leptochiton)
Foto: Senckenberg World of Biodiversity.

Água-viva-de-Pente (Ctenophora)

Move-se por meio de cílios que refletem luz em cores iridescentes.

Água-viva-de-Pente (Ctenophora)
Foto: Shane Anderson

Peixe-Caracol-Hadal (Pseudoliparis swirei)

Vive a mais de 8.000 metros de profundidade e apresenta ossos reduzidos e flexíveis.

Peixe-Caracol-Hadal (Pseudoliparis swirei)
Foto: Adam Summers, Friday Harbor Lab, Universidade de Washington

Enguia-Cusk (Ophidiidae)

Possui sistemas sensoriais altamente desenvolvidos para detectar movimentos na água.

animais do fundo do mar. 
Enguia-Cusk (Ophidiidae)
Foto: NOAA/MBARI.

Anfípode-Hadal (Hirondellea gigas)

Consegue digerir materiais orgânicos que chegam até as maiores profundidades do oceano.

Anfípode-Hadal (Hirondellea gigas)
Foto: Dr. Alan Jamieson/Newcastle University/Divulgação

Mesmo nos ambientes mais extremos do planeta, a vida encontra formas de persistir. Os animais do fundo do mar revelam não apenas a biodiversidade da vida marinha, mas também os limites e as possibilidades da evolução da vida na Terra.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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