Enquanto a esmagadora maioria da comunidade científica sustenta que as emissões de carbono intensificam secas, tempestades e elevação do nível do mar, o novo movimento aposta em redefinir os parâmetros legais da política ambiental americana.
Aliados de Donald Trump afirmam estar próximos de uma “vitória total” na desmontagem da base jurídica que sustenta a política climática dos Estados Unidos. A expectativa é que a Agência de Proteção Ambiental revogue nos próximos dias a chamada endangerment finding, decisão científica de 2009 que reconheceu que gases de efeito estufa ameaçam a saúde pública.
Base legal
Essa determinação, emitida durante o governo Barack Obama, obrigou o governo federal a regular emissões de veículos, usinas e indústrias. Sua revogação não representaria apenas uma mudança administrativa, mas um abalo estrutural: sem essa base, futuros governos teriam mais dificuldade para restabelecer limites obrigatórios à poluição climática.
Estratégia
A articulação começou ainda em 2022, quando aliados conservadores redigiram decretos e construíram argumentos jurídicos para desmontar a legislação climática assim que os republicanos retomassem o poder. Documentos revelam tentativas de produzir relatórios técnicos paralelos e financiar estudos que contestassem o consenso científico, estratégia vista como essencial para sustentar a reversão regulatória.
Consequências
A decisão ocorre em um contexto de forte polarização. Enquanto a esmagadora maioria da comunidade científica sustenta que as emissões de carbono intensificam secas, tempestades e elevação do nível do mar, o novo movimento aposta em redefinir os parâmetros legais da política ambiental americana. Caso a revogação avance, o impacto pode ultrapassar o ciclo eleitoral e redesenhar o papel dos EUA no enfrentamento global da crise climática.