“Infraestrutura como pauta significa mais do que obras: é escolher projetos, mobilidade e missões capazes de transformar o Brasil”
Até que ponto faz sentido o Estado não ser investidor? Encontramos um consenso que soa meio certo, meio estranho, dependendo de quem debate: precisamos ter austeridade, em um governo que se assemelha a uma pessoa física. Pensar empresas como pessoas não é uma boa prática. Assim, como não deveria ser uma boa prática comparar as finanças de uma pessoa com um país.
Empresas e países precisam investir fortemente para conseguirem crescer, mudar, desenvolver. A condição de ficar “parado” em “equilíbrio” só é vantajosa para poucos. O que se verifica no mundo desenvolvido é uma aspiração por mais e mais, em uma ânsia sem fim por mais poder. E quem ficar no imobilismo terminará conquistado ou dominado. Basta ver o que acontece nos mercados de alta tecnologia. Há um combate global e parece que estamos longe destas pautas.
Por aqui, parece que estamos condicionados por uma dinâmica de não investimento. A questão que me inquieta é para quem interessa não investir? Por qual razão só encontrar espaços onde há interesse de exploração por grupos econômicos estrangeiros? Esta estratégia é ótima para ser dominado e não me parece a melhor estrutura para uma soberania nacional. Precisaremos criar um modelo brasileiro de sobrevivência ao contexto global, para que não sejamos engolidos nos próximos anos por alguma potência estrangeira.

Será que conseguiremos construir uma linha de construção de novas infraestruturas para o país ou seguiremos a pensar num Brasil sem um Estado investidor para a redução das desigualdades. Este modelo de não investimento não leva a mais prosperidade. Os momentos quando o país cresceu sempre foram derivados de forte investimento público ou privado. A questão é: como criar este ambiente? Qual será o espaço da infraestrutura no debate eleitoral nacional e estadual em 2026?
Gostaria muito que a pauta seja capturada por modelos de país onde a ciência se reencontre com as necessidades da população e das empresas. Hoje estamos atolados em ideias vagas e todas consolidadas no não fazer. Como se fosse possível crescer sem investimento. Como se fosse possível a transformação sem a mudança das práticas.
Há tempo para colocar a pauta da infraestrutura no debate público. Seja na construção de grandes projetos interestaduais, seja na grande oportunidade para repensar a mobilidade urbana. Muito pode ser feito com desafios e missões para transformar a realidade do país. Para isso teremos que sonhar e fazer projetos de um Brasil mais desenvolvido. Precisamos sair das armadilhas de imobilismo estrutural.
