Segundo o Inpe, o desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu em 2025, mas ainda somou mais de 9 mil km², área equivalente a seis vezes a cidade de São Paulo.
Os alertas de desmatamento emitidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam que o Brasil encerrou 2025 com queda nas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado pelo segundo ano consecutivo. Ainda assim, os números continuam elevados. Juntos, os dois biomas perderam 9.186 km² de vegetação, área equivalente a seis vezes o território da cidade de São Paulo.
Na Amazônia Legal, os alertas somaram 3.817 km² ao longo do ano, uma redução de 8,7% em comparação com 2024. O ritmo de queda, no entanto, tem mostrado sinais de desaceleração: em 2023, a retração foi de 50% e no ano passado, de 19%. O estado do Mato Grosso concentrou quase metade da devastação amazônica em 2025, com 1.497 km² desmatados, um aumento de 60% em relação ao ano anterior. O Pará e o Amazonas vieram em seguida, com perdas de 979 km² e 721 km², respectivamente.
No Cerrado, o cenário continua mais crítico. A área sob alerta chegou a 5.369 km², queda de 9% em relação a 2024. Ainda assim, pelo terceiro ano consecutivo, o desmate no bioma savânico superou o da floresta amazônica. Maranhão (1.190 km²), Tocantins (1.133 km²) e Piauí (1.005 km²) lideraram os alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado em 2025.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) explica que as causas da degradação variam entre os biomas. No Cerrado, o desmate ocorre majoritariamente em áreas privadas, onde, conforme o Código Florestal, é permitido suprimir até 80% da vegetação nativa ou 65% nas zonas de transição com a Amazônia. Já na floresta amazônica, o limite é de 20%.
Entre as estratégias adotadas para conter o avanço do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o governo federal destaca a reativação do Fundo Amazônia, que investiu R$ 3,6 bilhões nos últimos três anos; a ampliação dos recursos para fiscalização ambiental e o programa União com Municípios, que destinará R$ 785 milhões para promover o desenvolvimento sustentável em 81 cidades da Amazônia Legal. A meta é zerar o desmatamento até 2030.