Com investimento da Alemanha, fundo de florestas tropicais avança como aposta do Brasil na COP30 para remunerar países pela conservação, em meio a críticas e tensões diplomáticas recentes.
Na reta final da COP30, em Belém (PA), a Alemanha oficializou o investimento de 1 bilhão de euros ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), considerado a principal aposta do Brasil na conferência climática para fortalecer a conservação ambiental.
O valor será repassado ao longo de dez anos e reforça a mobilização internacional em torno de um fundo de florestas tropicais que remunere países por resultados concretos de preservação. Até o momento, a iniciativa já arrecadou cerca de US$ 5,5 bilhões, com contribuições da Noruega, França, Indonésia, Brasil e Portugal.
O modelo proposto pelo Brasil difere de mecanismos tradicionais de doações ao privilegiar pagamentos com base em metas comprovadas por imagens de satélite, sistemas de monitoramento confiáveis e regras de transparência no uso dos recursos.

Segundo o desenho do fundo de florestas tropicais apresentado à comunidade internacional, ao menos 20% dos valores transferidos a cada país devem ser destinados a populações indígenas e comunidades tradicionais. Os recursos serão operados como ativos de baixo risco, reinvestidos em projetos sustentáveis com maior retorno e, posteriormente, redistribuídos proporcionalmente à área preservada.
Apesar de a quantia anunciada pela Alemanha estar abaixo dos US$ 2,5 bilhões pedidos por organizações da sociedade civil do país, o gesto foi bem recebido por autoridades brasileiras. Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o aporte representa uma “demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e que começa a dar as respostas.”
O anúncio ocorreu após um episódio de tensão diplomática. Em discurso no Congresso Alemão do Comércio, o chanceler Friedrich Merz comentou que ninguém da delegação alemã desejava permanecer em Belém após a COP30. “Todos ficamos felizes em voltar para a Alemanha”, disse ele. A declaração foi recebida como desdém e provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele deveria ter ido a um boteco no Pará, dançado no Pará, provado a culinária paraense. Ia perceber que Berlim não oferece nem 10% da qualidade que Belém tem”, rebateu.
Apesar do ruído diplomático, ambientalistas destacam que o apoio alemão envia um sinal político importante e pode impulsionar novos aportes ao fundo de florestas tropicais que o Brasil tenta consolidar como legado da conferência.
