Em meio ao Arco do Desmatamento, a Resex Ituxi preserva a floresta amazônica por meio de manejo sustentável, tradição das comunidades locais e suporte de parceiros estratégicos, como o Idesam.
Criada em 2008, a partir da demanda de comunidades locais, a Reserva Extrativista (Resex) Ituxi ocupa 7,7 mil km² no sul do Amazonas, área seis vezes maior que o município do Rio de Janeiro. A unidade de conservação foi criada pelo governo federal para garantir a proteção do território e a sobrevivência das populações tradicionais por meio do uso sustentável dos recursos da floresta.

Assim como outras reservas extrativistas, a Ituxi permite atividades como pesca, coleta de frutos, extração de sementes e de madeira, desde que realizadas de forma controlada. Garimpo, criação de gado e desmatamento de grandes áreas não são autorizados. O uso de recursos precisa respeitar os limites ecológicos, assegurando a regeneração da floresta e evitando sua exaustão.
A coleta de castanha-da-Amazônia é a principal fonte de renda das famílias da Resex Ituxi, atividade passada de geração em geração e enraizada na cultura local. “Estou acostumado a colher castanha há quase 40 anos. Isso faz parte da nossa tradição”, afirma o castanheiro Manoel Freitas.

Outra frente importante é a extração de madeira. A atividade é realizada em ciclos de 10 anos e requer licenciamento ambiental anual. “Ao derrubar uma árvore, só pode voltar a essa região depois de 10 anos. Tem que respeitar o ciclo da floresta para ela se renovar, se regenerar, para depois voltar à exploração. O manejo adota critérios de ciclo, para que não haja necessidade de reflorestar porque a própria natureza vai fazer isso, de forma natural”, explica Marcus Biazatti do Idesam, parceiro estratégico das comunidades tradicionais da Amazônia na difusão de práticas sustentáveis em bioeconomia.
Segundo o ICMBio, a Resex Ituxi enfrenta avanços crescentes contra a floresta em seu entorno. Localizada às margens do Arco do Desmatamento, região de 500 mil km², a Ituxi integra um grupo estratégico de áreas protegidas, que inclui terras indígenas, um parque nacional e uma floresta nacional, cada vez mais pressionadas pela expansão da fronteira agrícola.

