Cientistas da Coreia do Sul cria tocha de plasma capaz de reciclar plástico em milissegundos

Com a nova tecnologia, baseada em tocha de plasma, a Coreia do Sul espera elevar a reciclagem de plástico, hoje abaixo de 1%, e reduzir a dependência de incineração e aterros.

Um grupo de cientistas da Coreia do Sul desenvolveu a primeira tecnologia do mundo capaz de transformar resíduos plásticos mistos em matérias-primas de alta pureza sem a necessidade de triagem. A inovação é baseada em uma tocha de plasma alimentada por hidrogênio, que opera entre 1.000°C e 2.000°C e decompõe os materiais em menos de 0,01 segundo. O processo converte até 80% do volume em etileno e benzeno — insumos valiosos para a indústria — com mais de 99% de pureza após a purificação.

Tocha de plasma alimentada por hidrogênio em funcionamento no laboratório, usada para reciclar plástico.
Protótipo da tocha de plasma, movida a hidrogênio, que decompõe resíduos plásticos mistos em matérias-primas de alta pureza. Foto: KIMM/Divulgação

Atualmente, resíduos plásticos desse tipo são tratados por incineração, recuperação energética ou reciclagens mecânicas e químicas que exigem triagem rigorosa e geram diversos subprodutos de baixo aproveitamento. O novo sistema elimina essas limitações, garantindo maior eficiência e viabilidade econômica. Além disso, ceras antes inutilizáveis em pirólise puderam ser reaproveitadas com alto índice de seletividade.

Dois pesquisadores sul-coreanos posam no laboratório.
Pesquisadores sul-coreanos lideraram o projeto que resultou na criação da tocha de plasma capaz de reciclar resíduos plásticos em segundos. Foto: KIMM/Divulgação

A tecnologia, liderada pelo Instituto Coreano de Máquinas e Materiais (KIMM), em parceria com o Instituto Coreano de Pesquisa em Tecnologia Química (KRICT), o Instituto Coreano de Tecnologia Industrial (KITECH), o Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia (KIST) e universidades, pode elevar drasticamente a taxa de reciclagem química na Coreia, hoje inferior a 1%. Segundo os pesquisadores, a tocha de plasma também abre caminho para aplicações em outras áreas, como o tratamento de gases de efeito estufa na indústria de semicondutores.

O sistema já demonstrou estabilidade operacional de longo prazo e potencial para se tornar praticamente livre de carbono quando alimentado por energias renováveis. A expectativa é que, a partir de 2026, a tocha de plasma entre em fase de operações controladas para acelerar sua comercialização e ampliar o impacto na economia circular.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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