Relatório do IMAZON mostra que elevação do desmatamento na Amazônia Legal permanece estável em 2025, enquanto a degradação florestal quadruplicou com queimadas e pressões locais.
Apenas dez dos 772 municípios da Amazônia Legal concentraram quase 30% de todo o desmatamento na região, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Segundo o novo levantamento do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do IMAZON, mesmo representando apenas 6% do território amazônico, essas cidades tiveram juntas 956 km² de floresta destruída, de um total de 3.503 km² de floresta amazônica.

Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas, lideram os dados da devastação, com perdas respectivas de 140 e 137 km² de vegetação nativa, uma média diária de 76 campos de futebol desmatados. Completam a lista Colniza, Marcelândia e União do Sul (MT); Uruará, Portel, Itaituba e Pacajá (PA) e Feijó (AC).
Seis desses municípios também aparecem entre os dez com maior risco de novas derrubadas na plataforma PrevisIA, o que indica que áreas já pressionadas continuam vulneráveis.
Apesar dos esforços de contenção, os dados mostram estabilidade na taxa de desmatamento na Amazônia: foram 3.503 km² em 2024/2025 contra 3.490 km² no período anterior. Já a degradação florestal disparou, passando de 8.913 km² para 35.426 km², principalmente devido a queimadas intensas em setembro e outubro de 2024.
“A degradação fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais. O salto que vimos em 2025 é um sinal de que precisamos olhar com mais atenção para esse tipo de dano”, alerta a pesquisadora do IMAZON, Manoela Athaíde. Ela defende ações mais incisivas em áreas críticas para conter tanto o desmatamento, quanto a degradação da floresta.

