Brasil concentra 20% do potencial global de reflorestamento sustentável

Pesquisa publicada na Science mostra que América Latina é a região com maior capacidade de regenerar florestas e armazenar carbono, mas alerta para os riscos e desigualdades nos compromissos internacionais.

Um estudo publicado na revista Science destaca o potencial do Brasil e da América Latina no reflorestamento sustentável e na restauração de florestas como estratégia para reduzir o impacto das mudanças climáticas. A pesquisa identificou uma área global de 389 milhões de hectares, disponível para regeneração e plantio de árvores, o equivalente ao tamanho da Índia. 

Se recuperados de forma sustentável, esses espaços poderiam armazenar quase 40 gigatoneladas de carbono até 2050, o que corresponde a 63% do sumidouro anual registrado na última década.

O maior potencial de reflorestamento sustentável está em regiões tropicais, sobretudo na América do Sul. O Brasil tem papel de destaque, concentrando 20% da área global apta para o plantio de árvores. China e Índia também figuram entre os principais países para expansão dessas iniciativas.

Seria necessário plantar uma área de cinco vezes o tamanho da Amazônia brasileira para compensar emissões de gases poluentes.
Foto: Dado Galdieri

O estudo revela, entretanto, uma desigualdade nos compromissos assumidos. Atualmente, 90% das áreas prometidas para reflorestamento estão em países de baixa e média renda. A África concentra metade dessas metas, mas possui apenas 4% da área adequada, evidenciando descompasso entre promessas e potencial real. Já a Europa, que detém um quarto da área global disponível, se comprometeu com apenas 13% das terras.

Desafios do reflorestamento sustentável


Embora seja uma estratégia promissora para reduzir emissões, o estudo alerta para riscos ambientais e sociais. O plantio deve considerar impactos sobre biodiversidade, segurança alimentar, uso da água e temperatura regional. Zhanghai Qin, autor principal do estudo, afirma que países ricos poderiam ampliar compromissos e apoiar financeiramente nações em desenvolvimento, além de investir em transferência de tecnologia e mercados de carbono.

A pesquisa ressalta ainda que proteger florestas já existentes é mais eficaz do que plantar novas. Se o desmatamento for interrompido até 2030, seria possível evitar até três vezes mais emissões do que o esperado com programas de reflorestamento.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...