Com 95% do território do país ameaçado pela elevação do mar, a população de Tuvalu busca asilo climático na Austrália. Programa de vistos celebrado entre as nações é o primeiro acordo bilateral de migração causada por mudanças climáticas.
Tuvalu, pequena nação insular do Pacífico localizada entre a Austrália e o Havaí, está entre os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Com o ponto mais alto do território a apenas 4,5 metros acima do nível do mar, projeções indicam que até 95% do arquipélago pode ficar submerso até o final do século, segundo estimativas da NOAA e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Dois dos nove atóis que compõem o país já foram cobertos pelo mar e eventos como as chamadas “marés do rei” causam enchentes e inundações recorrentes. A água salgada também compromete os poucos poços de água potável, afetando a saúde pública local.
Diante do cenário, o governo da Austrália criou, em 2024, um programa de vistos específico para cidadãos de Tuvalu, que prevê a concessão de 280 autorizações por ano. Até julho de 2025, cerca de um terço da população de Tuvalu já havia solicitado o documento.
A medida é considerada o primeiro acordo bilateral relacionado à migração induzida pelas mudanças climáticas. Os vistos oferecem residência permanente, acesso a serviços públicos e possibilidade de estudo na Austrália. Mas o número de pessoas que pretendem emigrar gera temores em relação a possível saída em massa de profissionais qualificados de Tuvalu, o que pode prejudicar a economia do país.
Internamente, o governo de Tuvalu também desenvolve estratégias de adaptação. Entre elas, estão a ampliação do território habitável da capital, Funafuti, com uso de areia dragada do oceano e o projeto de criar uma “nação digital” no metaverso, para digitalizar aspectos da cultura e estrutura estatal de Tuvalu, como forma de preservar a identidade nacional caso o território físico seja perdido. Diante da situação de emergência, autoridades do país pedem que outras nações tomem providências para conter o avanço do aquecimento global.

