Interesse dos Estados Unidos em terras raras pressiona o Brasil por mais controle no setor

Interesse dos Estados Unidos reacende debate sobre o controle dos terras raras pelo governo brasileiro, em meio à disputa global por insumos minerais indispensáveis para a transição energética e a indústria de alta tecnologia

Representantes dos Estados Unidos demonstraram interesse nas terras raras do Brasil em meio à recente decisão do governo Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. A sinalização acontece em um contexto de crescente disputa global por recursos como lítio, cobre e terras raras,  insumos essenciais à transição energética, à inteligência artificial e à indústria de alta tecnologia.

Imagem de perto do cobalto, uma pedra de cor azul esverdeadaO cobalto é um dos minerais críticos, também conhecido como terras raras, ele é crucial para a produção de baterias, especialmente as utilizadas em veículos elétricos e dispositivos eletrônicos.
O cobalto é um dos minerais críticos, também conhecido como terras raras, ele é crucial para a produção de baterias, especialmente as utilizadas em veículos elétricos e dispositivos eletrônicos. Foto: Getty Images.

Nos bastidores, há conversas em andamento entre os governos Lula e Trump, mas o tema dos minerais ainda não entrou formalmente nas negociações. Segundo diplomatas, o Itamaraty trata com cautela a possibilidade de troca entre tarifas e acesso ao subsolo brasileiro. Avalia-se que o aumento tarifário tenha sido motivado principalmente por pressões internas de setores econômicos dos EUA e não por uma ofensiva estratégica estruturada sobre os minerais brasileiros.

Hoje, os EUA buscam diversificar seus fornecedores desses recursos, diante do domínio chinês sobre parte significativa da cadeia global. O Brasil, que pode abrigar a segunda maior reserva de terras raras do mundo, entrou em pauta.

Em resposta ao cenário internacional, o governo brasileiro prepara a Política Nacional de Minerais Críticos, com lançamento previsto ainda para 2025. As diretrizes incluem o fortalecimento do mapeamento geológico, estímulo à pesquisa e inovação, parcerias locais e atração de investimentos. A medida busca ampliar a soberania do país sobre seu patrimônio mineral e posicionar o Brasil de forma estratégica nas cadeias globais de valor.

Imagem da Serra dos Carajás, uma das maiores reservas de ferro e minerais críticos do mundo. Os minerais estratégicos têm sido pauta do interesse dos Estados Unidos nas negociações geopolíticas com o Brasil.
Imagem da Serra dos Carajás, uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo. Os minerais estratégicos têm sido pauta do interesse dos Estados Unidos nas negociações geopolíticas com o Brasil. Foto: Isabele C./Wikimedia Commons.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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