Amazonas e a oportunidade do turismo para aventuras

“A oportunidade do turismo exige um esforço coletivo — não há como desenvolvê-lo apenas por uma parte da sociedade. Essa é a grande barreira que ainda limita o avanço do setor, seja no Amazonas, seja no Brasil.”

O turismo do Amazonas é muito menor do que poderia ser. Todos falam em Turismo no Amazonas ou Amazônia, mas enquanto não houver um conjunto de atrações e pessoas com a formação adequada, teremos um turismo pequeno e concentrado em poucos grupos econômicos. É necessária uma parceria estreita entre iniciativa pública e privada para prover a infraestrutura adequada e atrativa.

Em 2024 o Amazonas recebeu cerca de 415 mil turistas, enquanto no ano da Copa do Mundo, em 2014, foram cerca 1.168.000 turistas. Com cerca de R$ 110 milhões investidos para o órgão de turismo em 2024, isso significa cerca de R$ 0,27 por turista atraído. Um primeiro olhar pode considerar um valor elevado (e, em certa medida, é), mas é importante comparar com outros lugares que atraem bastante turismo, onde a pessoa ao menos pernoitará uma vez na localidade. 

oportunidade do turismo
Turistas estrangeiros visitando a Amazônia

Por exemplo, na região de Navarra, no Norte da Espanha, com EUR 13.335.935,00 investidos e cerca de 2.307.000 turistas, a relação é de EUR 5,78 por turista. Este grupo agregou à economia local cerca de EUR 1,5 bilhões, entre os turistas e a grande quantidade de “excursionistas” (que não gastam uma noite). Esta região, como o Amazonas, possui primariamente lugares da natureza como atração, destacando-se os Pirineus. Claro que aqui se incluem destinos para esportes de neve (que são usualmente mais caros e atraem um tipo específico de público) – entretanto, ele precisou ser desenvolvido – pistas de esqui só surgem com investimento.

A decisão que parece nos faltar é o encontro da natureza Amazônica com os vários turismos possíveis que sejam vinculados com ela: trilhas, aventura, observação, escaladas, pesca esportiva, mergulho etc. Precisamos nos conectar com a natureza Amazônica em uma dimensão de interação e aprofundamento de experiências, com hotéis com gastronomia desenvolvida e frequência de voos. O trabalho parece hercúleo, mas fora desta gestão sistêmica não teremos caminho para desenvolvimento do turismo.

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Turismo Amazonia – Foto divulgação

Precisamos encontrar vocações que atraiam o turismo local e nacional, antes de ansiar por turistas estrangeiros. Há várias regiões do Brasil que possuem turismo natural, mas parece que é algo ainda um tanto isolado – não atraindo atenção maiúscula pelos baixos volumes iniciais de arrecadação ou geração de riqueza.

O turismo parece ser um assunto ainda isolado em grandes festas (como foi a Copa do Mundo de Futebol ou é no Festival de Parintins ou no Carnaval da Bahia). Precisamos de atrações continuadas de turismo, com voos frequentes e fácil acesso. Para isso teremos que confiar no turismo do entorno das capitais de Estado, pois não temos voos fáceis, baratos ou frequentes para interiores.

A solução para isso é uma ação integrada entre Governos e Iniciativa Privada. O turismo é um esforço público que não há como ser feito apenas por uma parte da sociedade e daí vem a grande dificuldade de desenvolvimento deste setor, seja no Amazonas, seja no Brasil.

Os governos precisam se integrar e interagir com a iniciativa privada, mas comumente há tanta preocupação de conformidade (ou com a não-conformidade intencional) que ficamos num emaranhado de ações pouco continuadas. Precisamos romper a vergonha da atuação conjunta público-privado e encontrar mecanismos que podem ser por Associações e Planejamentos de longo prazo, tal qual aconteceu em outros países.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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