“Na prática, quem paga essa conta não são apenas os consumidores, nem apenas os industriais. Quem paga é a soberania brasileira. É o modelo ZFM, que financia educação, ciência e interiorização do desenvolvimento na Amazônia. É a floresta em pé que se enfraquece quando o emprego formal definha e a economia legal perde espaço.”
Em tempos de normalidade democrática, medidas de política comercial seguem critérios técnicos. Em tempos de autoritarismo globalizado, elas se tornam armas geopolíticas, instrumentos de chantagem e expressões de um projeto de poder fundado na mentira. É exatamente isso que estamos vivendo agora. Com Donald Trump reeleito e de volta à Casa Branca há sete meses, os Estados Unidos acabam de impor um tarifaço de 50% exclusivamente ao Brasil, uma medida sem precedentes e sem paralelo em qualquer relação bilateral do continente.
Trata-se de uma bomba programada — não contra o Brasil em sua totalidade, mas contra setores produtivos simbólicos, como a Zona Franca de Manaus, que encarna o esforço possível de industrialização sustentável em plena Amazônia.
O método da desinformação como política de Estado
Essa medida não é fruto do acaso. Ela é a ponta do iceberg de uma metodologia estruturada: a mentira como arma, a desinformação como doutrina, o ódio como cimento ideológico. No epicentro dessa engrenagem estão dois protagonistas que se retroalimentam: Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Desde sua ascensão, Trump fez da manipulação das massas por meio de fake news, ataques às instituições e distorção da realidade um projeto deliberado de poder. No Brasil, Bolsonaro tropicalizou a fórmula: transformou o negacionismo sanitário em bandeira eleitoral, o armamentismo em política pública, e o desmonte institucional em método.
Uma jogada combinada: o tarifaço como cortina de fumaça
A imprensa internacional já repercute com perplexidade a aplicação do tarifaço direcionado exclusivamente ao Brasil. O argumento técnico é frágil, contraditório e oportunista. Mas o que se revela nos bastidores é muito mais grave: a medida seria parte de uma articulação demagógica de Trump para tentar livrar seu aliado Jair Bolsonaro das consequências legais no Brasil.
A Amazônia como vítima colateral do projeto de poder
Na prática, quem paga essa conta não são apenas os consumidores, nem apenas os industriais. Quem paga é a soberania brasileira. É o modelo ZFM, que financia educação, ciência e interiorização do desenvolvimento na Amazônia. É a floresta em pé que se enfraquece quando o emprego formal definha e a economia legal perde espaço.

A verdade como fronteira da resistência
Diante desse cenário, é preciso deixar claro: não estamos diante de uma disputa comercial. Estamos diante de uma guerra assimétrica, onde a principal trincheira é a narrativa e a principal arma é a desinformação. O Brasil precisa se defender com soberania, coragem e compromisso com a verdade.
Não se combate esse tipo de ataque apenas com tecnocracia ou diplomacia tímida. É preciso gritar a verdade com todas as letras, expor o conluio transnacional entre os artífices da mentira e proteger com veemência o que temos de mais valioso: nossa floresta, nosso trabalho, nossa democracia.
