Quando o controle público sai dos gabinetes e vai ao encontro do cidadão

Mais do que um evento técnico, o Congresso simbolizou uma guinada institucional: o controle que caminha, que conversa, que educa, que acolhe, que aprende. Num país de desigualdades e numa região de distâncias continentais, como a Amazônia, o verdadeiro sentido do poder público – é necessário registrar isso – não está apenas na letra fria da lei ou nas planilhas eletrônicas.

Está no ato político e ético de ir onde o cidadão está, de entender suas necessidades, suas dores, seus sonhos, e de transformar o controle das contas públicas em instrumento de justiça social, promoção de direitos e oportunidade para as novas gerações.

CONTROLE PÚBLICO

A iniciativa do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) de apresentar seus projetos em dois estandes interativos durante o Congresso fala por si só. Neles, o público — servidores, estudantes, gestores, cidadãos — pôde tocar, ver e compreender as transformações silenciosas, mas decisivas, que uma gestão séria e criativa pode promover.

Ali estavam expostos os frutos de uma atuação que supera as barreiras logísticas e culturais da região: da Ouvidoria da Mulher, que acolhe vítimas de violência, à Diretoria de Projetos Ambientais, que inspira novos caminhos de governança verde; do Blitz TCE, que leva o controle a campo, ao Corregedoria Day, que trata da ética e da saúde mental institucional como parte do zelo pelo interesse público.

Ao reunir órgãos de controle do Brasil e do mundo, o CICPP abriu espaço para uma nova gramática institucional. Nele, a fiscalização deixa de ser apenas corretiva e passa a ser orientadora, colaborativa, educativa. Em vez de apenas punir, previne; em vez de apenas julgar, transforma.

Essa virada é ainda mais potente quando vem da Amazônia, um território historicamente invisibilizado, que agora protagoniza exemplos que inspiram o país. O controle público não pode mais ser um sistema isolado, hermético, desconectado da vida real. Ele deve ser ferramenta para ampliar o bem público, fortalecer o pacto federativo e garantir condições dignas de crescimento para todos — especialmente para os que mais precisam.

Mais do que protocolos e discursos, este Congresso plantou sementes. O legado não está apenas nos relatórios e atas, mas nas conexões feitas entre instituições, nas ideias compartilhadas entre servidores, na esperança renovada em estudantes que descobriram no TCE-AM uma vocação de futuro.

Esse é o verdadeiro papel das instituições em uma democracia: não se proteger do povo, mas proteger o povo. E para isso, é preciso sair dos gabinetes, desmontar hierarquias simbólicas e ocupar o espaço público com presença ativa, pedagógica e transparente.

Yara Amazônia Lins
Yara Amazônia Lins
Yara Amazônia Lins é conselheira e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e Diretora da Atricon. Pós-graduada em Ciências Contábeis pela UFAM e reúne um portfólio robusto em Espírito Publico nos seus mais de 40 anos de serviços prestados ao TCE-AM. Em seu atual mandato tem direcionado esforços, dentro das competências do órgão e da função que ocupa, para maiores realizações de valorização da Amazônia e da preservação do Meio Ambiente.

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