A obra de Dom Phillips, “Como Salvar a Amazônia – Uma busca mortal por respostas”, foi finalizada por amigos do jornalista e lançada três anos após assassinato de Dom e o indigenista Bruno Pereira no Vale do Javari
A trajetória do jornalista britânico Dominic Mark Phillips cruzou rios, trilhas e terras indígenas em busca da resposta de uma pergunta central: como salvar a Amazônia? Antes de concluir a resposta, Dom Phillips foi assassinado ao lado do indigenista Bruno Pereira no Vale do Javari, Amazonas. O caso aconteceu em junho de 2022.
Colaborador do prestigiado jornal britânico The Guardian, Phillips trabalhava em um livro abordando desafios que as populações locais enfrentam para sobreviver em meio às dinâmicas políticas, à pressão do agronegócio e à ameaça climática na região amazônico. Phillips já tinha um nome provisório para sua futura obra: Como Salvar a Amazônia.
Após sua morte, a viúva de Dom, Alessandra Sampaio, organizou o trabalho ao reunir um grupo de jornalistas amigos, que completaram os seis capítulos finais, somando-se à introdução e aos três capítulos originalmente escritos por Dom. Lançado hoje (27) pela Companhia das Letras com o título “Como salvar a Amazônia – Uma busca mortal por respostas“, a obra póstuma de Dom Phillips tornou-se um misto de diário de viagem, investigação jornalística e manifesto.
Os capítulos foram escritos por Jonathan Watts (The Guardian), Jon Lee Anderson (New Yorker), Eliane Brum (Sumaúma), Tom Phillips (The Guardian), Helena Palmquist (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Não Contatados e Recentemente Contatados), Stuart Grudgings (ex-Reuters Bureau) e Andrew Fishman (The Intercept Brasil).
“Há humanos que em vida produziram confusão, dor e destruição. Quando morrem, desaparecem para sempre. Já outros nos legaram respeito, justiça e amor. Este livro mostra que essas pessoas vivem para sempre conosco, salvando a Amazônia e o planeta. É o caso do Dom.”
– Sydney Possuelo, ativista social e etnógrafo brasileiro
Segundo a sinopse da Companhia das Letras, apesar de todas as dificuldades, Dom foi otimista em sua escrita: para ele, estamos em tempo de reverter a situação e encontrar alternativas para construirmos uma relação mais sustentável com a floresta. Basta ouvirmos o que os povos indígenas e os amazônidas têm a nos ensinar.