Superando a falta de diálogo para a inovação

“A falta de diálogo nos impede de avançar nas Missões de Desenvolvimento; é preciso encarar as falácias que propagamos, encontrar as bases do diálogo e duvidar de si ao ouvir o diferente.“

A agregação de valor com a ciência e a tecnologia é uma necessidade. Todavia, para a construção do progresso é fundamental compreender e acolher os problemas do presente para superarmos os desafios. Há uma avaliação ignorante entre os elos de nossa sociedade. O pesquisador não entende como pode ser difícil pagar uma folha de pagamento, tal qual o empresário não entende que o professor universitário faz muitas coisas além de pesquisar. Os dois acreditam que o trabalho do governo é simples, mas como é difícil fazer apenas o que a lei permite. 

falta de diálogo
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O entendimento do outro é um passo que precisa ser dado, pois há muito mais desinformação do que acolhimento e a inovação é uma soma de esforços e não um embate. Como não temos um grande volume de empresas nacionais de alta tecnologia, ainda não há uma cultura empresarial forte para a pesquisa, desenvolvimento e a inovação. Isso pode ser construído, mas precisaremos de um esforço para a compreensão mútua, com muito diálogo.

A criação de um espaço cooperado é um passo relevante que precisa ser tomado. Os Institutos de Pesquisa que podem fazer este papel têm tido pouco orçamento para este trabalho de construção de pontes. Faltam pesquisadores que tenham a visão empresarial e faltam empresários que tenham a visão científica.

Os ambientes onde há volume de recursos para Pesquisa & Desenvolvimento são tomados por multinacionais que (quase) certamente não possuem interesse em desenvolver países estrangeiros. Seus enfoques são voltados para o desenvolvimento de seus próprios países e as cooperações locais serão as mínimas possíveis para cumprir as obrigações. Aliás, também fazemos isso, quando empresas brasileiras se posicionam no exterior.

É uma falácia considerar que as universidades ou empresas nacionais não inovam. A questão é que convém ao interesse estrangeiro que sigamos a acreditar nisso. Convém que sigamos trocando soja, gado ou frango por acesso aos ambientes da alta tecnologia. Podemos seguir a chutar as nossas próprias escadas ou podemos realizar as nossas fortalezas.

As Missões de Desenvolvimento nacionais só avançarão quando tivermos a capacidade de encarar tantas falácias que temos propagado ao longo dos últimos anos, tipicamente atacando. Encontrar as bases do diálogo é o caminho para a transformação e a inovação. Duvidar de si ao encontrar os diferentes pode ser um bom começo. 

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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