Microorganismos da Amazônia podem salvar plantações de tomate? Entenda

Pesquisa conduzida por brasileiros revelou que microorganismos de rios da Amazônia podem ser a solução para combater bactéria do solo responsável por uma das doenças mais destrutivas para a cultura

Uma nova pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou que microorganismos presentes em sedimentos de rios da Amazônia podem ser a solução para combater a Ralstonia solanacearum, bactéria do solo responsável pela murcha bacteriana do tomate — uma das doenças mais destrutivas para essa cultura. Ela ataca o sistema vascular do tomateiro, impedindo o fluxo de água e nutrientes, o que leva à murcha e morte da planta.

Os resultados são promissores: a partir da coleta e análise de 36 bactérias isoladas dos rios Negro e Solimões, os pesquisadores identificaram potenciais para o desenvolvimento de um inoculante bacteriano, capaz de reduzir significativamente a incidência da doença.

Resultados da pesquisa evidenciam o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica.
Resultados da pesquisa evidenciam o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica | Foto: Siglia Souza

A Embrapa destaca que a bactéria Ralstonia solanacearum, além de atacar o tomate, também afeta diversas culturas importantes como batata, pimentão, pimenta, berinjela, banana, amendoim, feijão e soja — o que amplia ainda mais a relevância e o impacto desses estudos para a agricultura brasileira.

Impacto dos microorganismos na Amazônia

A descoberta de possíveis novas espécies dos gêneros Streptomyces e Kitasatospora, um dos três isolados bacterianos encontrados no estudo com taxas de supressão ao patógeno superior a 90%, reforça o enorme potencial da pesquisa científica na Amazônia para o desenvolvimento de biofertilizantes e defensivos naturais, alternativas mais sustentáveis para a agricultura.

Um dos pesquisadores envolvidos, Gilvan Ferreira da Silva, da Embrapa Amazônia Ocidental, defende que essa prospecção de microorganismos pode ser mais rentável e estratégica do que a exploração tradicional de recursos naturais. Ele usa o termo “mineração genômica” para descrever o processo de identificação de microrganismos capazes de produzir moléculas com alto valor agregado, voltadas ao uso biotecnológico — um “tesouro” oculto da biodiversidade amazônica, com potencial de transformar práticas agrícolas e farmacêuticas no país.

A identificação de microorganismos capazes de produzir moléculas com alto valor agregado, voltadas ao uso biotecnológico, são  um "tesouro" oculto da biodiversidade amazônica.
A identificação de microrganismos capazes de produzir moléculas com alto valor agregado, voltadas ao uso biotecnológico, são um “tesouro” oculto da biodiversidade amazônica | Foto: AS Photography/Pexels

“Há outros estudos em andamento, mostrando que microbiota do bioma Amazônia, principalmente a dos rios, pode ter uma aplicação importante na agricultura, tanto na parte de controle de patógenos quanto na prospecção de novas moléculas. Então é um material muito rico que está sendo desdobrado em diversos trabalhos”, disse Silva.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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