Em estudo recente publicado nesta quarta-feira (12), dados do Imaflora apontam que a preservação é muito mais rentável do que o desmatamento no Amazonas
Um estudo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora) aponta que a preservação florestal é mais rentável do que desmatamento. Segundo a análise, o desmatamento no sul do Amazonas pode causar um prejuízo acumulado de R$ 15 bilhões em 30 anos.
O cálculo considera o valor de atividades sustentáveis, como extrativismo, manejo florestal e projetos de créditos de carbono. A pesquisa focou nas Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) localizadas ao redor da rodovia BR-319, que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
“O uso sustentável das FPNDs é muito mais eficiente do que sua conversão para pastagens, por exemplo”, destaca Pedro Gasparinetti, um dos autores da análise sobre o desmatamento no Amazonas, em matéria do Brasil de Fato.
De acordo com o estudo do Imaflora, cada hectare de floresta no sul do Amazonas armazena 324 toneladas de carbono, o que pode atrair bilhões em investimentos no mercado de créditos de carbono. Marco Lentini, coautor do boletim, destaca que a pecuária extensiva, principal causa do desmatamento na região, gera apenas entre R$ 500 e R$ 750 por hectare ao ano — um valor muito inferior ao potencial econômico das florestas preservadas.
Desmatamento no Amazonas em terras públicas
Cerca de 50% do desmatamento da Amazônia ocorre em terras públicas, principalmente nas florestas públicas não destinadas (FPNDs), que abrangem 63 milhões de hectares. Em 2024, essas foram as mais afetadas por incêndios. O fogo, junto com o desmatamento, é uma ferramenta comum na grilagem, prática ilegal que envolve a apropriação indevida de terras públicas.
No centro-sul do Amazonas, as FPNDs ocupam 11,7 milhões de hectares e enfrentam forte pressão devido à expansão desordenada de estradas, invasões e conflitos que ameaçam direitos tradicionais. Como o desmatamento nessas áreas gera impactos locais, nacionais e globais, o documento do Imaflora ressalta que é essencial reconhecer sua importância para justificar políticas de proteção eficazes.