Quantos microplásticos você inala diariamente? Conheça os países com maiores exposições

Um estudo abrangente realizado em 109 países identificou a China e a Mongólia como os lugares onde as pessoas mais respiram microplásticos de forma involuntária. Este fenômeno é resultado da degradação e dispersão de detritos plásticos não tratados no meio ambiente. O Reino Unido ocupa o terceiro lugar no ranking, enquanto o Brasil está na 14ª posição.

“A absorção de microplásticos é um indicador crítico da poluição e dos riscos à saúde pública”, afirmou o professor Fenqi You, especialista em Engenharia de Sistemas de Energia na Universidade Cornell, em entrevista ao jornal DailyMail. “O mapeamento global apoia os esforços locais de mitigação da poluição por meio de um melhor controle da qualidade da água e da reciclagem eficaz de resíduos”, complementou o professor.

Na China e na Mongólia, o nível registrado é de 2,8 milhões de partículas de microplásticos por dia. Partículas microplásticas são definidas como menores que 5 mm. Nos Estados Unidos, os residentes inalam cerca de 300 mil partículas por dia. Já no Mediterrâneo e regiões próximas, países como Espanha, Portugal e Hungria apresentam uma inalação de aproximadamente 60 mil a 240 mil partículas por mês.

microplásticos
Foto divulgação

Ranking de Inalação

Os 20 países onde as pessoas mais inalam involuntariamente são:

  1. China
  2. Mongólia
  3. Reino Unido
  4. Irlanda
  5. Gâmbia
  6. Egito
  7. Laos
  8. Mianmar
  9. Malásia
  10. Filipinas
  11. Tailândia
  12. Vietnã
  13. Tunísia
  14. Brasil
  15. Algéria
  16. Suíça
  17. Luxemburgo
  18. Holanda
  19. Noruega
  20. Suécia

Detalhamento do estudo

Publicado na revista Environmental Science & Technology, o estudo analisou os hábitos alimentares de cada país, tecnologias de processamento de alimentos, demografia etária e taxas de respiração – todos fatores que influenciam as variações na forma como os residentes de cada país consomem microplásticos.

Poluição na alimentação

Além da inalação, o estudo também investigou a quantidade que as pessoas ingerem involuntariamente. Para isso, os pesquisadores compilaram dados sobre as concentrações de microplásticos em subcategorias dos principais grupos de alimentos, como frutas, vegetais, proteínas, grãos, laticínios, bebidas, açúcares, sal e especiarias.

Os modelos utilizados no estudo incorporaram dados detalhando o consumo desses alimentos em diferentes países. Por exemplo, embora o consumo de sal de cozinha per capita seja quase igual na Indonésia e nos EUA, a concentração no sal de cozinha indonésio é cerca de 100 vezes superior.

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O estudo ressalta a necessidade urgente de medidas globais e locais para reduzir a poluição por microplásticos. Melhorar o controle da qualidade da água e implementar práticas eficazes de reciclagem de resíduos são passos essenciais para mitigar os riscos à saúde pública associados à exposição a microplásticos.

Surgimento

Os microplásticos são pequenos fragmentos de plástico com menos de 5 mm de diâmetro. Eles surgiram como um subproduto inevitável da produção e uso generalizado de plásticos, que começou a se expandir significativamente a partir da década de 1950. Com o aumento da fabricação de produtos plásticos, a degradação desses materiais no meio ambiente levou à formação de microplásticos.

Os microplásticos podem ser classificados em dois tipos principais:

  1. Primários: São fabricados intencionalmente em pequenos tamanhos, como microesferas usadas em cosméticos e produtos de higiene pessoal, além de pellets industriais utilizados na fabricação de produtos plásticos.
  2. Secundários: Resultam da degradação de itens plásticos maiores, como garrafas, sacolas e redes de pesca, que se fragmentam em partículas menores devido à exposição ao sol, ao vento e à ação das ondas.

Como evitar a exposição e a poluição por microplásticos

Embora a eliminação total dos microplásticos seja um desafio global, algumas medidas podem ser adotadas para reduzir sua presença e impacto:

  1. Reduzir o Uso de Plásticos de Uso Único:
    • Opte por sacolas reutilizáveis, garrafas de água de metal ou vidro, e recipientes de armazenamento reutilizáveis.
  2. Melhorar a Gestão de Resíduos:
    • Implementar sistemas eficazes de coleta e reciclagem de resíduos plásticos.
    • Apoiar iniciativas de limpeza de praias e rios.
  3. Escolhas de Consumo Conscientes:
    • Evite produtos que contenham microesferas plásticas, muitas vezes encontradas em esfoliantes e pastas de dente.
    • Prefira tecidos naturais em vez de sintéticos, que liberam microplásticos durante a lavagem.
  4. Tecnologias de Tratamento de Água:
    • Investir em tecnologias avançadas de tratamento de água para remover microplásticos antes que eles entrem no abastecimento de água potável.
  5. Educação e Conscientização:
    • Promover a educação sobre os impactos dos microplásticos no meio ambiente e na saúde humana.
    • Incentivar a participação comunitária em programas de reciclagem e redução de plásticos.
  6. Políticas e Regulações:
    • Apoiar a implementação de políticas governamentais que limitem a produção e o uso de microplásticos, além de promover alternativas biodegradáveis.
    • Regular a fabricação e o descarte de plásticos para minimizar a fragmentação e a liberação de microplásticos no ambiente.
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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