Cientistas estudam vírus oceânicos que podem combater mudança climática

Pesquisadores dos Estados Unidos estão avançando em estudos sobre o papel potencial de vírus oceânico no combate às alterações climáticas. Focados em vírus que podem reter dióxido de carbono na água do mar ou prevenir a liberação de metano resultante do degelo do solo ártico, essa nova fronteira de pesquisa pode oferecer soluções inovadoras para problemas ambientais globais.

Matthew Sullivan, professor de Microbiologia e diretor do Centro de Ciência do Microbioma da Universidade Estadual de Ohio, destaca a importância dos oceanos na absorção de carbono, um processo essencialmente controlado por comunidades microbianas. Segundo ele, os vírus influenciam diretamente o metabolismo dessas comunidades, abrindo caminhos para pesquisas focadas em otimizar a conversão de carbono em formas mais benéficas.

virus oceanico
Foto divulgação

Utilizando técnicas avançadas, como sequenciamento genômico e análise por inteligência artificial, a equipe de Sullivan identificou 128 microrganismos com genes-chave para essas funções. A descoberta surpreendeu os cientistas pelo alto número de candidatos potenciais.

A pesquisa agora se direciona para a modelagem metabólica comunitária, uma estratégia que promete revelar como vírus específicos podem ser utilizados para reestruturar o microbioma oceânico, visando uma eficácia maior na captura de carbono. O objetivo é identificar “alavancas” viáveis dentro das vias metabólicas essenciais, uma abordagem que pode revolucionar a gestão de carbono nos oceanos.

Além das aplicações ambientais, os insights obtidos desses estudos oceânicos estão sendo adaptados para desafios médicos, incluindo a recuperação de lesões na medula espinhal, melhorando os resultados de bebês nascidos de mães com HIV, e o combate a infecções em pacientes com queimaduras. Sullivan salienta a importância de explorar a transferibilidade desses achados, com o objetivo final de projetar microbiomas que sejam benéficos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana.

*Com informações UM SÓ PLANETA

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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