O dever da inteligência

A situação de preocupante insegurança jurídica mina as intenções de investimentos, criação de empregos e o desenvolvimento socioeconômico. Deixando esses fatos de lado, por serem bastante conhecidos, pergunto: quantas vezes teremos que suportar os golpes que são desferidos e parecem inevitáveis, mas que conseguimos como povo resiliente, escapar, superando obstáculos e resistindo a enormes pressões?

Por mais que o cansaço aumente, estaremos vigilantes na tentativa de salvar o único projeto exitoso de crescimento socioeconômico da região. Disse o físico alemão Albert Einstein: “O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”.

Por Gilmar Freitas
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Apesar das dificuldades ainda temos esperanças de que, dando-se uma trégua ao tumulto e aos ressentimentos, o Governo Federal possa ouvir os que defendem a Zona Franca de Manaus (ZFM), com calma e raciocinando para o bem do maior estado brasileiro e por extensão, ao bem do Brasil.
Já se falou bastante contra e a favor da ZFM, porém é estranho o comportamento contraditório de um ministro de Estado, não só pela autoridade que detém e, mesmo sem palavras já pesaria muito, mas também por proferir publicamente comentários e discurso estudado contra o projeto mais bem-sucedido na região amazônica, a ZFM.

É de se perguntar, até quando abusarão de nossa paciência! Por quanto tempo o rancor, provocado não sabemos por que, os tornarão cegos às nossas potencialidades? Será que não enxergam os resultados satisfatórios do modelo, como a retomada do crescimento da produção industrial em fevereiro detectada pelas estatísticas do IBGE, apesar da crise de abastecimento de insumos e da alta persistente da inflação? Só enxergam o que acham ser defeitos, sem aprofundar uma discussão que leve a um entendimento e a uma conciliação de interesses.  

O crescimento das linhas de produção em fevereiro dos subsetores de duas rodas e bebidas, como mostram os dados recentes da pesquisa do IBGE, parece incomodar o Poder Central, que ao invés de estimular, plantam boatos sobre a intenção em reduzir e até mesmo zerar alíquotas do IPI desses produtos, provocando no mínimo a apreensão das empresas que atuam nos referidos subsetores, o receio dos seus empregados e o desalento daqueles que buscam incentivar o desenvolvimento econômico local.

A situação de preocupante insegurança jurídica mina as intenções de investimentos, criação de empregos e o desenvolvimento socioeconômico. Deixando esses fatos de lado, por serem bastante conhecidos, pergunto: quantas vezes teremos que suportar os golpes que são desferidos e parecem inevitáveis, mas que conseguimos como povo resiliente, escapar, superando obstáculos e resistindo a enormes pressões?

Roberto Campos, ministro do Planejamento na época da criação da ZFM, ao ser provocado durante uma entrevista, disse chegar à conclusão de que nós brasileiros, estávamos na terceira categoria dos povos a que se referia Otto Bismark, estadista alemão do século XIX: 1) aqueles que aprendem da experiência alheia são os povos inteligentes; 2) os medíocres são aqueles que aprendem de suas próprias experiências; 3) os idiotas, aqueles que não aprendem. Não será pretensioso desejarmos que os amazonenses se comportem como povo inteligente, aprendendo cada vez mais com a experiência adquirida ao enfrentarmos todos aqueles que querem nos oprimir, essa demonstração de inteligência poderemos dar nas eleições que se aproximam.

Por mais que o cansaço aumente, estaremos vigilantes na tentativa de salvar o único projeto exitoso de crescimento socioeconômico da região. Disse o físico alemão Albert Einstein: “O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”.

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Gilmar Freitas é economista – foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press
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