Arteterapia é estratégia de humanização no HC para apoiar famílias enlutadas na pandemia

Segundo a musicista Anna Dulce, melhorar a experiência de pessoas que perderam alguém querido contribui bastante para a saúde mental das famílias em luto

Desde antes da pandemia do coronavírus, a musicista formada pela USP, Anna Dulce, desenvolve um estudo a respeito da arteterapia em ritos funerários. Com a chegada da covid-19, doença causada pelo coronavírus, estudos como os de Anna Dulce se tornaram aliados importantes para milhares de pessoas que perderam algum conhecido para a covid-19 em toda a pandemia.

“Humanização é mudança de cultura, de melhor comunicação, de valorização das pessoas, de reconhecimento da subjetividade e da sensibilidade”, afirma Izabel Rios, médica responsável pelo setor de Humanização dentro do Hospital das Clínicas (HC) da USP, ramo que já existe há cerca de 20 anos no HC. O setor de Humanização é previsto em lei para todo o Sistema Único de Saúde desde 2003.

No HC, os trabalhos de humanização se somaram à atuação de Anna, que é voluntária, dedicando-se a crianças de longa permanência na pediatria. Fim de vida e acolhimento ao óbito passaram a ser as áreas nas quais Anna mais atuou na pediatria, tudo isso a partir da saúde espiritual com a música. “A saúde espiritual faz parte da saúde integral do ser humano. A saúde precisa prestar atenção nisso, principalmente em tempos de pandemia, em que os religiosos não podem entrar no hospital”, explica Anna Dulce.

“A humanização no HC foi, desde o início, convocada para entrar no enfrentamento à pandemia. Era uma doença até então desconhecida, que foi provocando uma situação de distanciamento social, medo, dor, desamparo e solidão”, enxerga Izabel. Assim, os trabalhos de humanização envolveram a capacitação de equipes para a sensibilidade junto aos pacientes, a visita remota e o acolhimento das famílias no óbito.

Anna explica que a distância da família, provocada pelas medidas sanitárias de combate à pandemia, confere ao óbito e ao luto um caráter diferente por suspender o rito fúnebre de despedida presencial e por mudar substancialmente o enterro, cuja aglomeração passou a ser restringida. “Tudo que você tem é o boletim do médico ligando”, lembra Anna. “Melhorar a experiência de perder alguém querido contribui bastante para a saúde mental do enlutado”, continua. Para isso, Anna atende matrizes religiosas diversas de pessoas enlutadas através de chamadas de vídeo.

Fonte: Agência Brasil

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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