O impacto da devastação da Amazônia no clima do resto do Brasil

Parte da Floresta Amazônica talvez já tenha começado um processo irreversível de degradação e tenha se tornado um emissor líquido de dióxido de carbono. Antônio Nobre, do INPE, conversou com Thomas Milz, da DW, explicando que “as florestas remanescentes na porção leste da Amazônia, locus do pior desmatamento, no chamado arco do fogo, já apresentam sintomas de haverem cruzado o tipping point clima-vegetação, com áreas imensas mostrando o processo de savanização”. Menos árvores significa redução da quantidade de água no ciclo de chuvas e evapotranspiração. Menos água leva a uma vegetação mais pobre, mais baixa, com predominância de plantas típicas dos campos sujos. Como o desmatamento continua muito alto, a tendência é que esse processo se alastre por mais áreas na metade sul da floresta, reduzindo a quantidade de água transportada desde o Atlântico até os Andes.

A forte estiagem que atinge o Sudeste e o Centro-Oeste do país foi causada pela combinação dos efeitos do La Niña do ano passado com essa redução da quantidade de água. O pessoal do Aos Fatos cita um trabalho recente que comentamos e que saiu na Nature, atribuindo a perda de 25% da vegetação a uma queda de 24% no volume de chuvas entre agosto e outubro (período mais seco).

Um dos vetores de desmatamento são as estradas amazônicas. Leandro Prazeres, n’O Globo, escreve sobre o aumento do desmatamento ao longo da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, mesmo antes das obras de recuperação do asfalto terem saído do papel. As repetidas promessas do governo – presidente, ministros e senadores – foram suficientes para aumentar significativamente o desmatamento no estado. No ano passado, a distância coberta por estradas vicinais à BR aumentou 13%, no clássico desenho de espinha de peixe. Philip Fearnside, um dos maiores especialistas na região, avisa que “essa região é uma das principais responsáveis pela umidade que viaja pelo país e se transforma em chuva em lavouras mais ao sul do país. Se essa floresta desaparecer, não vai haver umidade. O impacto será devastador”.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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