A impressionante falta de consensos para infraestrutura

“Entretanto, o que se vê é um pensamento não sistêmico e antigo. É um momento oportuno para criar esta dinâmica. Resta saber se os novos gestores do município e todos os representantes da sociedade organizada querem ter este trabalho, pois será cansativo e exige diálogo. A esperança segue acesa, mas com pequena ressonância.”

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

No nosso país temos dificuldades para buscar consensos. Até mesmo em temas onde normalmente todos parecem ter interesse, como o caso da construção de infraestruturas para cidades. A falta de concentração para este propósito é tão pequena que calçadas, ciclovias e melhor infraestrutura para ônibus não é vista em Manaus faz décadas. Estamos num compasso diferente do “rouba, mas faz” que foi muito conhecido no Sudeste do Brasil. Estamos no “não fazemos e nem buscamos consensos sobre o que fazer no futuro”. Enquanto em São Paulo centenas de quilômetros de ciclovias foram construídos, o que vemos em Manaus são ciclovias inseridas como um estorvo e não como um ganho para a cidade.

O mesmo acontece nos projetos para os ônibus. Faz décadas que sistemas de faixas exclusivas para ônibus começaram a ser implantadas no mundo inteiro como solução, a partir de experiências iniciais de Curitiba. Por aqui, após as mesmas décadas, ainda não conseguimos, como sociedade, concluir o projeto de ônibus em faixas exclusivas, pois ainda convivemos com paradas em dois lados da via, com uma malha de linha de ônibus que lembram soluções do século passado. De vez em quando um passo é dado, mas em seguida o projeto para ou retrocede.

Parece que começamos projetos de transporte na expectativa de que apenas uma ação resolva todos os problemas. Parece que há no inconsciente a falsa esperança de ser possível concluir uma cidade. Uma cidade perfeita jamais estará pronta, pois é uma utopia. Todavia, como os bons sonhos, é importante persegui-los. Resolver em definitivo os problemas das calçadas, ciclovias e dos ônibus de Manaus será impossível. Entretanto, melhorar este sistema todos os dias, de maneira incansável será a construção de uma cidade mais humana. Isto é possível.

A nossa humanidade é diminuída quando não conseguimos enfrentar o problema da mobilidade de Manaus, pois ela será melhor apenas se for melhor para todos. Temos uma cidade grande o bastante para já ter uma malha de transportes que opere para todos e que evolui constantemente. Deveríamos ter métodos de melhorias contínuas contundentes e constantes, compatíveis com o tamanho da população e da área envolvida. Entretanto, o que se vê é um pensamento não sistêmico e antigo. É um momento oportuno para criar esta dinâmica. Resta saber se os novos gestores do município e todos os representantes da sociedade organizada querem ter este trabalho, pois será cansativo e exige diálogo. A esperança segue acesa, mas com pequena ressonância.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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