Até 2030, 1,3 milhão de brasileiros estarão ameaçados de inundações costeiras, revela novo estudo

Climate Central publica estudo mostrando que o aumento do nível do mar, impulsionado pelas mudanças climáticas, ameaçará milhões de pessoas em todo o mundo com inundações, com destaque para as regiões costeiras do Brasil, China e Vietnã.

A Climate Central já havia apresentado, em 2021 e 2023, diversas imagens e vídeos simulando o impacto do aumento do nível do mar em várias cidades ao redor do mundo. Estes materiais mostravam cenários preocupantes caso as metas de redução de emissões não fossem alcançadas, destacando as terríveis consequências das mudanças climáticas.

nguyen kiet OGp18qMyq k unsplash 1
foto: Nguyen Kiet/Unsplash

Um estudo recente realizado pelos cientistas da organização enfatiza a urgência de reduzir as emissões para controlar o aquecimento global e suas consequências climáticas. Segundo os pesquisadores, até o final deste século, o aumento do nível do mar, decorrente das mudanças climáticas, ameaçará terras que hoje abrigam quase 100 milhões de pessoas globalmente. No Brasil, cerca de 2,1 milhões de pessoas serão afetadas por inundações anuais nas áreas costeiras até 2100.

Recordes de temperatura e nível do mar

De acordo com o relatório Estado do Clima Global 2023 da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado em março deste ano, 2023 foi o ano mais quente já registrado. O nível médio global do mar atingiu um recorde na série de dados de satélite (iniciada em 1993), refletindo o contínuo aquecimento dos oceanos, além do derretimento das geleiras e calotas de gelo.

A altura das plantas que compoes a tundra no Artico aumentou nos ultimos 30 anos. Foto Anne Bjorkman e1702422283315
A altura das plantas que compões a tundra no Ártico aumentou nos últimos 30 anos. E diversos lugares onde só havia gelo e neve, hoje há plantas nascendo (Foto: Anne Bjorkman)

Dados analisados pela OMM mostram que a taxa média de aumento do nível do mar nos últimos dez anos (2014-2023) é mais que o dobro da registrada na primeira década de dados de satélite (1993-2002). O aquecimento do planeta e dos oceanos é um resultado direto das emissões de gases de efeito estufa, com a queima de combustíveis fósseis sendo a principal responsável pelo aumento desses gases na atmosfera.

Conforme os mares continuam a subir, áreas que antes eram seguras passam a enfrentar riscos de inundação, expondo seus moradores a perigos crescentes. Os novos dados mostram que, até 2100, as zonas de risco se expandirão para áreas mais elevadas e interiores das regiões costeiras, onde atualmente residem 93 milhões de pessoas.

DALL·E 2024 04 17 23.01.20 A vivid horizontal illustration in the style of art deco depicting Earth experiencing the effects of climate change. The planet is anthropomorphized 1 2
Imagem meramente ilustrativa criada por Inteligência Artificial

Projeções de inundação no Brasil e no mundo

No Brasil, estima-se que em 2030 a população nas áreas de risco de inundação costeira anual será de 1,3 milhão de pessoas. Esse número deverá crescer 68% até 2100, chegando a 2,1 milhões de pessoas enfrentando a ameaça de inundações anuais.

A nível global, alguns países enfrentarão um aumento drástico no número e na proporção de residentes expostos a danos, perturbações e perdas causadas por tempestades até o final do século.

Até 2030, 1,3 milhão de brasileiros estarão ameaçados de inundações costeiras, revela novo estudo
Simulação de Salvaor com inundações – Foto: Climate Central

Na China, por exemplo, cerca de 52 milhões de pessoas viverão em zonas de risco de inundações costeiras anuais até 2030. Esse risco se estenderá até 2100, ameaçando áreas que atualmente abrigam mais 29 milhões de pessoas.

No Vietnã, onde 18 milhões de pessoas estarão na zona de risco em 2030, espera-se que o aumento do nível do mar até 2100 ameace terras que hoje abrigam mais 7 milhões de pessoas. Se isso ocorrer, a zona de risco anual de inundações cobrirá áreas onde vive 30% da população do país.

Em Bangladesh, o risco anual de inundações até 2100 se expandirá para áreas habitadas por mais de 10 milhões de pessoas. Na Índia, serão 8 milhões de pessoas, mais de 6 milhões na Indonésia e 5 milhões no Japão. Essas mudanças forçarão grandes comunidades a se adaptarem a ameaças mais graves e frequentes de inundações costeiras.

As estimativas provêm da análise atualizada da Climate Central sobre elevações globais e projeções de risco de inundação costeira, baseada no cenário mais recente de emissões médias a altas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Essa análise foi aplicada a dados populacionais para determinar o número de pessoas que hoje vivem em áreas que sofrerão mais inundações costeiras devido ao aumento do nível do mar.

A análise utilizou uma atualização extensiva, de março de 2024, do CoastalDEM, o modelo de elevação digital orientado por IA da Climate Central. “O CoastalDEM é o conjunto de dados globais de menor erro de alturas de terras costeiras, conforme avaliado em relação a um conjunto de dados de referência global.”

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...