200 anos de independência, ano 0 sem o Thiago de Mello 

A tristeza do presente e a esperança no futuro que se misturam no nosso poeta é um convite para todos nós despertarmos deste sonho equivocado, neste ano marcante. Que 2022 seja o ano da busca por um futuro de vida e de prosperidade para a Amazônia e para o país.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Nunca fui um leitor ávido por poesia. Nunca tive tal sensibilidade. Mas é impossível não ficar algo desolado com a perda do Thiago de Mello, que tão bem escreveu ‘faz escuro mas eu canto: porque a manhã vai chegar’. E não tendo vivido na época do maravilhoso clássico, posso afirmar que ele parece tão atual ou até mais atual que naquele longínquo 1965. A escuridão nos cerca, com as mortes e com as insensibilidades. É notável e assustador como a fragilidade de todos nós neste momento de país é muito semelhante ao que ele transpôs com tanta elegância em seu texto. Faz um ano de nossa crise de oxigênio (quando escrevi o texto “Meu logístico favorito”). 

Para ler o artigo “Meu logístico favorito” clique aqui

2022 também é o ano do bicentenário da independência. E por agora é muito presente em muitos de nós uma decisão de nos escravizar para a ciência estrangeira, para grandes corporações estrangeiras, para países estrangeiros, onde até bandeiras estrangeiras circulam com um destaque descabido. É realmente um momento de escuridão. Mas, como pregava o poeta, precisamos seguir a cantar, porque a manhã vai chegar. A temporada de trevas vai acabar. É uma sina humana, é uma realidade brasileira, na construção deste país que segue como promessa para o futuro, sem o seu presente.  

‘Vida sempre a serviço da vida’. ‘Carrego um grito que cresce / Cada vez mais na garganta, cravando seu travo triste na verdade do meu canto’. A tristeza do presente e a esperança no futuro que se misturam no nosso poeta é um convite para todos nós despertarmos deste sonho equivocado, neste ano marcante. Que 2022 seja o ano da busca por um futuro de vida e de prosperidade para a Amazônia e para o país. Que encontremos um caminho de preservação e construção. Precisamos superar a infância. Para estimular um pouco mais a leitura do poeta, com as palavras dele: ‘Nas águas da minha infância perdi o medo entre os rebojos. / Por isso avanço cantando’. Nada mais precisa ser escrito. Está aí a nossa trilha. 

E sempre tentarão silenciar os que lutam pelo país almejado. Os inconfidentes mineiros que o digam. Paira sempre a esperança, mas paira junto com ela a busca por uma juventude que tenha esta busca. Em minha enorme oportunidade de acolhida de calouros em uma sala de aula da UFAM, nesta semana passada, pude ter a esperança reconstruída, por um conjunto de jovens ávidos por pesquisa, por inovação e querendo ganhar dinheiro. Como precisamos disto. Como precisamos de gente normal, que tenha a energia para construir sonhos. Construir seu futuro. Construir um país melhor que este que construímos até aqui. O sucesso inevitável destes futuros Engenheiros Civis é por um motivo: ter vontade. E tem uma sorte no meio disso: estar na Amazônia. E tem uma dica para isso: trabalhar com uma energia vinda de dentro. ‘Faz escuro mas eu canto’. 

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Augusto Rocha é Professor da Universidade Federal do Amazonas
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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