Confira as verdades e os mitos para não ser picado por mosquitos

Pesquisadora fala de pesquisa sobre a preferência dos mosquitos

Pesquisadores descobriram que os mosquitos possuem preferência por tipos de pele. Um artigo publicado na revista científica Cell indica que a variação na concentração de ácido lático e gás carbônico expelidos pelo órgão pode atrair esses insetos. O odor da pele humana é uma mistura desses compostos orgânicos, que podem conter os elementos que chamam a atenção dos mosquitos.

Flávia Virginio, pesquisadora e curadora da coleção entomológica do Instituto Butantã, ressalta que ainda são poucas as comprovações científicas envolvendo tal “preferência” por peles. Para ela, ainda “depende muito da substância que a pessoa libera na pele”, mas tanto o CO2 quanto o ácido lático são substâncias que, atraem as picadas de mosquitos, comprovadamente. Outros fatores, como a temperatura da pele e a presença de vapor de água, também podem atrair esses insetos.

insetos mosquitos
Foto: iStock

Entre as receitas criadas para impedir a picada desses mosquitos, algumas fazem parte de superstições populares, como a ingestão de vitaminas do complexo B, o uso de vinagre de maçã, a ingestão de limão com cravo. Há também os chamados repelentes naturais, que são a citronela, a lavanda e os óleos naturais.

Mitos e verdades

As vitaminas do complexo B figuram como um dos mitos existentes dentre as substâncias utilizadas para repelir os insetos, já que não há comprovação científica sobre a eficácia delas. A pesquisadora explica que a incerteza da eficácia está justamente na forma como cada organismo irá processar a vitamina: “Muita coisa, quando a gente ingere e é digerida pelo sistema digestivo, não chega até o sangue a ponto de ser expelida pela pele”.

Outros mitos, que envolvem as chamadas receitas caseiras, indo desde o uso de chás e óleos naturais, como a lavanda, melaleuca e a citronela, podem ter sua efetividade variada de acordo com o manejo da planta.

lavanda
Lavanda. Foto: Pixabay

Algumas dessas substâncias até são auxiliadoras na composição dos repelentes industriais comprovadamente efetivos. No entanto, mesmo que sejam auxiliares na produção desses produtos, por não possuírem uma testagem e uma produção padronizada, os repelentes caseiros e in natura não possuem comprovação científica.

No mercado, os repelentes com efetividade comprovada variam desde o uso do princípio ativo de substâncias naturais para a composição de cremes na indústria farmacêutica, como também os encontrados em sprays, os ultrassônicos e as diversas formas mecânicas de dispersão dos insetos.

citronela
Citronela. Foto: Fernando Stankuns | Flickr

Flávia destaca, principalmente, os produtos que possuem concentração da substância Deet, a N,N-Dietil-m-toluamida, como potenciais repelentes para os adultos. Já para as crianças maiores de seis meses, o mais indicado por ela é a icaridina. Fatores como idade da pessoa, se é gestante ou não e se possui alguma alergia devem ser considerados ao fazer uso de determinadas substâncias.

Outras formas de evitar as picadas de mosquitos incluem pequenos cuidados cotidianos: aplicação de telas nas janelas; o uso de roupas que cobrem mais regiões do corpo em zonas de mata; a não realização de atividades em períodos específicos, como pela manhã e ao entardecer, período em que os mosquitos são mais ativos.

Por Fernanda Real | Jornal USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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