Vacina de produção 100% nacional começa a ser testada em Ribeirão Preto

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP será responsável pelos testes em mais de 400 voluntários que farão parte dos estudos clínicos

A corrida pelo desenvolvimento de novas vacinas contra a covid-19 continua em todo o mundo e o Instituto Butantan, responsável pela produção da chinesa CoronaVac em solo nacional, começa a testar em humanos a ButanVac, vacina com tecnologia desenvolvida no Hospital Mount Sinai, de Nova York, nos Estados Unidos, mas totalmente produzida no Brasil pelo próprio instituto. Como principal vantagem desse imunizante, toda sua produção tem insumos nacionais, sem necessidade de importação, o que deve baratear os custos e acelerar o processo.

O imunizante é fabricado a partir da inoculação de um vírus modificado que contém a proteína S do sars-cov-2 em ovos de galinhas embrionados (fecundados). A tecnologia é a mesma usada na produção da vacina contra a gripe influenza e, além de ser barata e muito conhecida pela ciência – especialmente em países emergentes -, a técnica é uma especialidade do instituto, que produz anualmente 80 milhões de vacinas da gripe, usando ovos. 

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as fases 1 e 2 dos ensaios clínicos dessa vacina serão divididas nas etapas A, B e C. A etapa A envolve 418 voluntários selecionados entre os mais de 93 mil inscritos, com o objetivo de avaliar segurança e seleção de dose, ou seja, qual será a quantidade necessária de imunizante para a vacina definitiva. Já as etapas B e C avaliam a resposta imune e envolvem mais de 5 mil voluntários.

Em estudo, ButanVac tem potencial para atender países mais pobres

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Rodrigo Calado – Foto: arquivo Serviço de Comunicação

Os ensaios clínicos, realizados todos em Ribeirão Preto, estão a cargo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP. “Essa pesquisa vai ser feita, recrutando voluntários saudáveis para testar a nova vacina, para analisar a capacidade de gerar resposta imunológica e a segurança desse imunizante”, explica Rodrigo do Tocantins Calado, professor da FMRP e coordenador dos estudos.

A cidade, que foi escolhida por ser “um centro com bastante experiência em estudos clínicos, capacidade de recrutar pacientes e excelência na pesquisa clínica”, como conta o professor, já começa a receber os voluntários para o processo inicial de análise, coletas de sangue e entrevistas. “Ainda não sabemos quanto tempo vai durar; vai depender da velocidade de recrutamento e dos resultados obtidos nessa primeira fase”, destaca.

Com comprovação de segurança e efetividade, segundo o Instituto Butantan, a vacina tem potencial para elevar a atual oferta de imunobiológicos contra a covid-19 em mais de 1 bilhão de doses por ano, o que deve beneficiar muitos países, especialmente os mais pobres. 

Por: Robert Siqueira e Ferraz Junior

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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