Retirada ilegal de madeira cresce 11 vezes em Terras Indígenas no Pará

A extração ilegal de madeira avança na Amazônia, inclusive em áreas que deveriam estar sob proteção do poder público. Um levantamento divulgado pelo IMAZON nesta 4ª feira (21/9), Dia da Árvore, mostrou que a retirada de madeira cresceu 11 vezes em um ano em Terras Indígenas do Pará.

Terras Indígenas

De acordo com a análise, a área com exploração madeireira em território indígena passou de 158 hectares entre agosto de 2019 e julho de 2020 para 1.720 hectares entre agosto de 2020 e julho de 2021 – um aumento acima de 1.000%.

O estudo revelou também que a retirada ilegal de madeira deixou de ser um problema exclusivo da Terra Indígena Baú e passou a impactar outras reservas – com destaque para a Terra Amanayé, a campeã no levantamento atual, com 1.255 hectares com exploração madeireira. Em seguida, estão as Terras Baú (205 ha), Sarauá (117 ha), Cachoeira Seca (94 ha) e Anambé (49 ha).

Da mesma forma, a extração madeireira ilegal também está atingindo diversas Unidades de Conservação (UC) no Pará. Entre agosto de 2020 e julho de 2021, foram identificados 126 hectares com exploração não autorizada de madeira nestas áreas, com destaque para as Florestas Nacionais (FLONA) do Jamanxim (56 ha) e de Altamira (44 ha), além da Floresta Estadual de Iriri (18 ha) e do Parque Nacional do Jamanxim (7 ha).

“O aumento da exploração de madeira dentro das Terras Indígenas e o registro nas Unidades de Conservação é extremamente preocupante, pois indica que esses territórios que por lei devem ser protegidos com prioridade não estão recebendo a atenção necessária para barrar novas invasões”, observou o pesquisador do IMAZON Dalton Cardoso.

CartaCapitalCBNCultura e O Globo repercutiram a informação. 

Em tempo: Os Povos Indígenas e as Comunidades Tradicionais são os principais aliados na luta pela proteção do meio ambiente. O Globo e Valordestacaram dados do MapBiomas sobre o desmatamento em território indígena que explicitam esse papel: nos últimos 35 anos, enquanto a derrubada de árvores cresceu mais de 20% em áreas não indígenas, ela aumentou apenas 1,7% nestes territórios.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Indústria que brota da floresta

"O prêmio da Tutiplast, nesse contexto, não reconhece apenas...

Mobilidade que sustenta a economia em tempos de crise energética

"Crise energética em pano de fundo: com o petróleo...

CBA desenvolve biossensor com microalgas que reduz custo e acelera análise da água

Biossensor com microalgas do CBA detecta poluentes em tempo real e reduz custos na análise da água na Amazônia.

Embalagens sustentáveis: papel pode reduzir impacto do plástico nos oceanos

Relatório aponta como embalagens sustentáveis de papel podem reduzir a poluição plástica, mas alerta para desafios ambientais e de inovação.