TCE-AM completa 75 anos levando transparência a todos os municípios amazonenses

Fiscalizar as contas públicas no Amazonas é, antes de tudo, um ato de desbravamento. Significa conhecer de perto a geografia que transforma o Estado em um verdadeiro país dentro de outro. Neste ano em que o TCE-AM completa 75 anos, a instituição celebra também três décadas de presença ininterrupta em todos os municípios, reafirmando seu papel como guardiã das contas públicas e aliada da sociedade amazonense.

Essa conquista é resultado de uma trajetória de inovação e superação, intensificada sob a gestão da conselheira-presidente Yara Amazônia Lins, que tem impulsionado ações capazes de vencer as barreiras naturais e logísticas da Amazônia.


Auditar distâncias continentais

Com 1,5 milhão de quilômetros quadrados — três vezes o tamanho da França — o Amazonas impõe desafios únicos à fiscalização pública. No Sul e Sudeste, uma viagem entre capitais e cidades do interior costuma levar poucas horas. Já no Amazonas, o percurso entre Manaus e São Gabriel da Cachoeira pode exigir até sete dias de barco pelo rio Negro.

Para chegar aos 61 municípios sob sua jurisdição, os auditores do TCE-AM enfrentam uma verdadeira maratona: avião, barco, rabeta, triciclo e longos trechos de estrada de barro. Cada deslocamento é uma operação planejada com precisão, em que logística e tempo são desafios constantes.

Mesmo assim, o trabalho segue um protocolo rigoroso. As equipes partem com planos de inspeção detalhados, verificam documentos, realizam visitas in loco a obras e notificam gestores pelo Domicílio Eletrônico de Contas (DEC), garantindo ampla defesa e transparência.

TCE-AM completa 75 anos

Entre rabetas e resistência

Fiscalizar o interior do Amazonas exige mais do que técnica: requer resistência e coragem. Há locais sem hospedagem, sem restaurantes e, em alguns casos, sem energia elétrica.

Os relatos revelam a dimensão do desafio. Viagens de 12 horas de ajato, travessias perigosas em regiões de garimpo ilegal e a constante ameaça de pirataria fazem parte da rotina.

Essas histórias se somam a outras tantas, que transformam a atuação do TCE-AM em uma epopeia amazônica pela boa governança.


A revolução digital: das águas à fibra ótica

Se as distâncias são imensas, a tecnologia tem encurtado o caminho. Desde 2017, com a implantação das teleauditorias, e especialmente após a Resolução nº 28/2021, o TCE-AM vive uma revolução silenciosa.

Sob a liderança de Yara Amazônia Lins, a Corte inaugurou, em 2024, uma sala de teleauditoria equipada com telas interativas, computadores de alto desempenho e sistemas de monitoramento em tempo real. O novo ambiente permite que auditores analisem documentos, imagens de satélite e dados contábeis sem sair de Manaus.

A tecnologia não substitui as visitas presenciais, especialmente em obras, mas reduz custos, otimiza rotas e amplia o alcance da fiscalização. O controle externo, agora, está presente mesmo onde o acesso físico parece impossível.


Transparência que chega a todos os cantos

Nos 61 municípios fiscalizados pela Dicami, o impacto é visível: obras retomadas, escolas reabertas, comunidades atendidas e maior transparência na gestão.

Mais do que números, são resultados que se traduzem em cidadania.


75 anos de história e compromisso

Ao completar três décadas de presença ininterrupta em todos os municípios e 75 anos de história institucional, o TCE-AM reafirma seu papel como guardiã das contas públicas e aliada da sociedade amazonense.

Entre voos, barcos, rabetas e cabos de fibra ótica, o Tribunal prova que a fiscalização pode atravessar rios, florestas e fronteiras — sempre em nome da transparência, da eficiência e do futuro do Amazonas.

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