Substâncias químicas nos alimentos geram prejuízo de US$ 2,2 trilhões por ano à saúde e bilhões ao meio ambiente

Relatório mostra como substâncias químicas sintéticas ligadas à produção de alimentos estão impulsionando doenças crônicas, infertilidade e perdas ecológicas bilionárias.

Um novo relatório internacional aponta que substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas no sistema alimentar estão ligadas a uma série de doenças crônicas e representam uma carga global de saúde de até US$ 2,2 trilhões por ano. O valor é equivalente ao lucro anual das 100 maiores empresas do mundo.

O estudo, coordenado pela consultoria Systemiq e assinado por dezenas de cientistas de universidades como Sussex, Duke e Boston College, focou em quatro classes de compostos: ftalatos, bisfenóis, pesticidas e os chamados “químicos eternos” (Pfas). Essas substâncias químicas estão presentes em embalagens plásticas, luvas descartáveis, agrotóxicos e materiais de contato com alimentos, como papel de fast-food.

Avião pulverizando pesticidas sobre plantação, representando uso de substâncias químicas sintéticas.
O uso intensivo de pesticidas na agricultura é uma das principais fontes de exposição a substâncias químicas sintéticas no sistema alimentar. Foto: Jan Amiss / Pixabay

Segundo os pesquisadores, a exposição a esses compostos está associada a câncer, infertilidade, malformações, doenças metabólicas e déficits cognitivos. A análise também estima um custo ecológico adicional de US$ 640 bilhões anuais, considerando perdas na produção agrícola e esforços para manter padrões de segurança da água.

A preocupação vai além da saúde individual. Se a exposição a disruptores endócrinos como bisfenóis e ftalatos continuar nos níveis atuais, o mundo poderá registrar entre 200 e 700 milhões de nascimentos a menos até 2100, aponta o documento.

Para Philip Landrigan, pediatra e especialista em saúde pública global, os dados são um “alerta para despertar”. Ele compara a gravidade da poluição química à crise climática, destacando a falta de regulamentação: “O que me apavora é o fato de existirem milhares de substâncias às quais todos estamos expostos diariamente e sobre as quais não sabemos nada”, afirmou.

Mulher grávida em ambiente hospitalar, ilustrando os impactos das substâncias químicas sintéticas na gestação.
A exposição a substâncias químicas sintéticas está ligada a riscos para a saúde reprodutiva e ao desenvolvimento fetal. Foto: annastills / Canva Pro

Desde os anos 1950, a produção de substâncias químicas sintéticas aumentou mais de 200 vezes. Atualmente, mais de 350 mil estão registradas no mercado, a maioria sem avaliação prévia de segurança para uso em larga escala.

Diante desse cenário, os cientistas pedem reformas urgentes nos sistemas regulatórios e mais investimento em alternativas seguras, alertando que o modelo atual é insustentável para a saúde humana, os ecossistemas e o futuro da segurança alimentar.

Acesse o relatório diretamente através deste link.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A reforma tributária e o destino estratégico da Amazônia

"Sem dúvida alguma, a grande missão da reforma tributária...

O CIEAM e a defesa de um projeto Amazonas

Defender a indústria sustentável da floresta é também defender coesão nacional, estabilidade institucional e presença brasileira sobre o próprio território

Conheça os ingredientes amazônicos que estão redefinindo o mundo dos cosméticos

Conheça ingredientes amazônicos usados em cosméticos e como eles impulsionam a bioeconomia, a renda local e a floresta em pé.

Diálogos Amazônicos discute o papel do Selo Amazônia na nova economia da floresta

"Edição do Diálogos Amazônicos reúne representantes do governo, academia...

Por que você precisa fazer parte da Amazônia Inteligente

"Participar da Amazônia Inteligente é entrar cedo numa conversa...