Startups brasileiras apostam matriz energética sustentável a partir de carvão de açaí e energia hídrica

O uso do caroço de açaí e força dos rios como matriz energética traz benefícios tanto para o meio ambiente, quanto para quem usa, proporcionando praticidade e eficiência

A emissão de carbono gerada a partir do amado churrasquinho brasileiro vai além da criação de gado em áreas desmatadas. O uso de carvão vegetal, cuja produção pode resultar na extração predatória de lenha, também pode causar um impacto ambiental negativo e contribuir para as mudanças climáticas. Para driblar o peso do uso desse material, uma solução sustentável do Amapá utilizou o caroço de açaí, um resíduo abundante do beneficiamento do fruto, que antes era descartado em grandes quantidades.

Segundo Alex Pascoal, CEO da Carvão de Açaí, a escassez de madeira tropical tem impulsionado a busca por biocombustíveis sustentáveis. Sua startup, sediada em Macapá, vende cerca de 5 toneladas de carvão por mês, tanto no Amapá quanto na Guiana Francesa, desviando entre 100 e 120 toneladas de caroço de açaí do lixo por ano.

“A alternativa tem maior poder de queima e emite menos fumaça, ideal para apartamentos”, conta Pascoal.

Alex Pascoal, CEO de startup que criou carvão a partir do caroço do açaí, uma opção de matriz energética sustentável.
Alex Pascoal, CEO de startup que criou carvão a partir do caroço do açaí — Foto: Divulgação

Após conquistar prêmios internacionais e participar de mentorias, a Carvão de Açaí planeja captar investimentos para aumentar em dez vezes sua produção, garantindo que seus fornos operem sem emissão de carbono.

“Vamos olhar o mercado de siderurgia e lançar nova linha de carvão gourmet com aromas da biodiversidade amazônica”, anuncia Pascoal. Além disso, a startup já se prepara para exportar seus produtos para Portugal e China, ampliando o impacto sustentável no mercado global.

Energia a partir da força dos rios

Outra startup com objetivo similar fez da correnteza dos rios uma opção de matriz energética sustentável.

A startup DCO, de Belém desenvolveu um sistema de geração de energia por meio de microturbinas hidrocinéticas que aproveitam a correnteza dos rios amazônicos. Com velocidades de água entre 0,2 m/s e 1 m/s, as turbinas podem produzir entre 150 e 350 kWh por mês, o suficiente para abastecer até três famílias ribeirinhas com eletrodomésticos como geladeira, TV, lâmpadas, bomba d’água e máquina de processar açaí.

Território Munduruku
Os rios amazônicos possuem potencial de ser uma solução sustentável para geração de energia.

O sistema opera de forma contínua e pode ser integrado a fontes solares, permitindo também o uso de câmaras frias. Desenvolvido com apoio de pesquisas da Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto foi adaptado para diferentes locais e pensado para que os próprios ribeirinhos possam realizar a montagem e manutenção, promovendo a autossuficiência energética.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A reforma tributária e o Amazonas: a hora de discutir o próximo passo

A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.