Queimadas disparam pelo mundo em 2024 e países tropicais perdem 18 campos de futebol por minuto

As queimadas devastaram cinco vezes mais floresta tropical primária em 2024 do que no ano anterior, agravando a crise climática e a perda de biodiversidade

Em 2024, os países tropicais, como Brasil e Bolívia, enfrentaram um dos piores anos já registrados em termos de devastação florestal. Foram 6,7 milhões de hectares de floresta primária perdidos – uma área equivalente ao território do Panamá, em um ritmo de destruição de 18 campos de futebol por minuto.

Os dados são do Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad Lab) da Universidade de Maryland e estão disponíveis na plataforma Global Forest Watch (GFW), do World Resources Institute (WRI).

55% da área queimada em 2024 foi na Amazônia, apontam dados
55% da área queimada em 2024 foi na Amazônia, apontam dados | Foto: Folhapress/André Cran

O aumento foi impulsionado principalmente por incêndios florestais, que queimaram cinco vezes mais floresta tropical primária em 2024 do que no ano anterior, agravando a crise climática e a perda de biodiversidade. Um grupo de apenas dez países foi responsável por 87% da perda global, com destaque para o Brasil, que sozinho concentrou 42% do desmatamento por queimadas registrado nos trópicos.

O país lidera o ranking global, seguido pela Bolívia, que subiu para a segunda posição. Além deles, completam a lista: República Democrática do Congo, Indonésia, Peru, Laos, Colômbia, Camarões, Nicarágua e México.

“A agricultura industrial, a mineração e a exploração madeireira são os principais responsáveis por sua perda”, afirmou o acadêmico e codiretor do Glad Lab, Peter Potapov, em resposta ao questionamento da Agência Brasil sobre o caso específico do país.

A fiscalização de queimadas passou a concentrar mais esforços na Amazônia e nas áreas com mais focos de incêndio pelo país
A fiscalização de queimadas passou a concentrar mais esforços na Amazônia e nas áreas com mais focos de incêndio pelo país | Foto: Cristian Braga/Greenpeace

O agravamento da crise ambiental não se limitou às florestas tropicais primárias: o mundo também registrou um recorde histórico de perda de cobertura arbórea global. Segundo os dados do GFW, houve um aumento de 5% na perda total de áreas com árvores em comparação com 2023, elevando a soma da área devastada para 30 milhões de hectares.

Nesse cenário, a Amazônia teve a maior perda de vegetação desde o recorde em 2016, saltando 110% de 2023 a 2024, sendo os incêndios o elemento central no ano passado. O Pantanal, por sua vez, foi o bioma que apresentou o maior percentual de perda de cobertura arbórea.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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