Qual o futuro almejado na Amazônia?

“O que deveríamos buscar é uma indústria completamente ligada ao que se espera do mundo contemporâneo: conectada, com grande valor agregado, em pequenas escalas personalizadas, produtivas e rentáveis. Fora disso, será mais do mesmo: destruição lenta, gradual e irrestrita. Sem ciência, sem tecnologia aplicada aos processos produtivos da região, não teremos outro destino a não ser o da repetição do passado.”

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Faz séculos que planos são feitos e pouco realizados na Amazônia. De fato, o que se faz muito por aqui é extrair recursos naturais em maior ou menor escala, em borracha, em minérios e o mais que tiver, sem muito cuidado com o resultado para a região ou seu meio-ambiente. O Mapa Estratégico do Conselho Nacional da Amazônia Legal 2020-2030 busca impacto econômico com o “aproveitamento sustentável dos recursos naturais e minerais”. Mais do mesmo, desde 1500. O Brasil continua se percebendo como um celeiro de recursos naturais e minerais. A Amazônia é tão grande que nos perdemos com facilidade e sempre voltamos ao mesmo ponto.

A “potencialização da bioeconomia” surge não como uma cadeia produtiva econômica e de alto potencial, mas com o alvo de “fortalecimento da inclusão social e cidadania”. Sem prescrever cadeias produtivas efetivas com alta tecnologia, seguiremos a destruir a floresta e a sua biodiversidade, aos poucos, como fazemos, em sociedade, faz séculos. Faremos de conta que incluímos as sociedades locais fazendo coleta de conhecimentos tradicionais e explorando em indústrias estrangeiras.

  Quando e como transcender a mera exploração – sustentável ou insustentável – dos recursos da região, sem ciência, tecnologia, inovação, cadeias produtivas completas e complexas? Há vários elos ausentes para a formatação e formação de cadeias produtivas sustentáveis. Com a crise climática que começa a assolar o mundo, até a ONU chama a atenção para a “revisão radical dos subsídios agrícolas”. Por aqui, quais os tipos de subsídios diretos ou indiretos que faremos? Será que para projetos insustentáveis de mineração, como proposto no Mapa Estratégico?

Há de se induzir cadeias produtivas do século XXI e não mais do mesmo que tem sido feito, desde sempre, sob pena de, em alguns anos, a Amazônia se tornar uma área completamente recortada por um conjunto de cidades que não deram certo e outras que deram mais ou menos certo. O que deveríamos buscar é uma indústria completamente ligada ao que se espera do mundo contemporâneo: conectada, com grande valor agregado, em pequenas escalas personalizadas, produtivas e rentáveis. Fora disso, será mais do mesmo: destruição lenta, gradual e irrestrita. Sem ciência, sem tecnologia aplicada aos processos produtivos da região, não teremos outro destino a não ser o da repetição do passado.

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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