Projeto Floresta Viva, do Idesam, restaura florestas e gera renda com bioeconomia

Em 2025, famílias ribeirinhas, participantes do projeto Floresta Viva do Idesam, plantaram 13 mil árvores no Amazonas e dobraram a produção local com iniciativas sustentáveis. 

Comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas, unem preservação ambiental e geração de renda por meio de sistemas agroflorestais. Pelo projeto Floresta Viva, coordenado pelo Idesam, 54 famílias ribeirinhas restauram áreas degradadas e criam alternativas de subsistência baseadas na bioeconomia.

Terra onde Konagano cultivou esta agrofloresta a dir. se parecia com pastagem degradada da fazenda vizinha a esq. 15 anos atras foto Felix Lima BBC
foto: Felix Lima/BBC

Em 2025, a iniciativa resultou no plantio de mais de 13 mil árvores em 13 comunidades, recuperando 35 hectares. Diferente das monoculturas, os agroflorestais combinam até 20 espécies em uma mesma área; como açaí, bacuri, jatobá, itaúba, copaíba e andiroba. O modelo substitui a agricultura de corte e queima e garante produção contínua,  sem necessidade de abertura de novos roçados.

Os efeitos também são econômicos. A usina comunitária de óleos essenciais de breu dobrou a produção, de 20 para 40 litros mensais. Agora o insumo também é processado com energia solar em vez de combustíveis fósseis, diminuindo emissões de carbono. 

O projeto ainda fortalece a autonomia e a capacitação. Moradores atuam no ciclo completo das mudas,da coleta de sementes ao plantio, consolidando conhecimento técnico e engajamento comunitário. 

Família ribeirinha planta árvores na RDS do Uatumã, projeto Floresta Viva do Idesam para restauração florestal e geração de renda sustentável.
Participantes do projeto Floresta viva plantando mudas de árvores. Foto: Henrique Saunier.

Para o diretor técnico do Idesam, André Vianna, a iniciativa vai além de metas ambientais. “Plantar árvores na Amazônia é manter a floresta viva, criar oportunidades para quem vive nela e garantir um futuro possível. É sobre justiça climática, autonomia e protagonismo das comunidades tradicionais.”

Com a meta de restaurar 200 hectares em diferentes Unidades de Conservação do Amazonas, o Floresta Viva é um exemplo de como o Brasil pode avançar no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê restaurar 12 milhões de hectares até 2030, e ressalta o papel das populações tradicionais na conservação da floresta.

Vista da RDS do Uatumã no Amazonas, onde o projeto Floresta Viva do Idesam promove restauração florestal e sistemas agroflorestais comunitários.
Paisagem da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, área prioritária para conservação no Amazonas. Foto: Aline Radaelli.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Abraciclo lança guia para orientar uso seguro de veículos elétricos de duas rodas nas cidades brasileiras

"Publicação reúne recomendações sobre segurança viária, regras de circulação...

Adalberto Luís Val, um cientista que ajuda o mundo a compreender a Amazônia

“Reconhecido internacionalmente, pesquisador do Inpa construiu uma trajetória que...

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica destruição de equipamentos

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica por que destrói dragas e outros equipamentos em operações.

Com apoio do Idesam, produtos da floresta movimentam R$ 18,2 milhões

Idesam apoia vendas de R$ 18,2 milhões em produtos sustentáveis e atua junto a mais de 5 mil famílias na Amazônia, aponta relatório de 2025.

Incêndio em Alter do Chão: o que se sabe sobre o fogo na APA de Santarém

Incêndio em Alter do Chão é controlado após mobilização de brigadistas e indígenas. Área protegida segue sob monitoramento para evitar novos focos.