Produção de biometano a partir de esgoto gera combustível limpo em Franca

Sistema da Sabesp já trouxe mais de R$ 700 mil em economia e evitou emissão de gases de efeito estufa com a produção de biometano usado em carros da empresa na cidade

Um projeto inovador no setor de saneamento e sustentabilidade, implementado em Franca, município no interior de São Paulo, permite que os gases gerados no tratamento de esgoto da cidade sejam transformados em combustível veicular. A iniciativa, desenvolvida pela Sabesp em parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, foi implantada em abril de 2018 na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade. Desde então, já proporcionou uma economia estimada com combustíveis que ultrapassa os R$ 700 mil.

O sistema opera com tecnologia de beneficiamento de biogás, convertendo os gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos do esgoto em biometano, um combustível renovável e limpo. Atualmente, 40 veículos da frota da Sabesp em Franca já utilizam esse biocombustível como fonte principal de energia, substituindo combustíveis fósseis e promovendo redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.

Em sete anos de projeto, celebrados no último mês de abril, foram produzidos em torno de 177 mil m³ de biometano – volume que, em equivalência, representa a substituição de 177 mil litros de gasolina e seria suficiente para dar 60 voltas ao redor da Terra.

Produção de biometano a partir de esgoto gera energia limpa para frotas da Sabesp.
Produção de biometano a partir de esgoto gera energia limpa para frotas da Sabesp | Foto: Divulgação

“Um benefício importante para a empresa é o financeiro. Economizamos R$700 mil reais nesse período, uma economia extremamente relevante. Mas existe um benefício ainda maior, que é a contribuição para a questão do aquecimento global com a redução dos gases de efeito estufa. Precisamos pensar globalmente e agir localmente”, destaca Gilson Santos de Mendonça, gerente regional da Sabesp de Franca.

Como o esgoto vira combustível?

A ETE Franca recebe, em média, 50 milhões de litros de esgoto por dia, o equivalente a 20 piscinas olímpicas.

O processo de tratamento começa com a separação da parte sólida e líquida do esgoto em decantadores. As fases seguem caminhos distintos: enquanto a parte líquida passa por etapas de remoção de matéria orgânica antes de ser devolvida aos rios, os resíduos sólidos seguem para biodigestores.

Nesses tanques fechados, bactérias anaeróbias (ou seja, aquelas que não utilizam oxigênio) decompõem a matéria orgânica presente no lodo. Esse processo natural gera dois subprodutos: o lodo e o biogás.

Visita de representantes da Comgás na Estação de Tratamento de Esgoto de Franca, na Sabesp.
Visita de representantes da Comgás na ETE Franca, na Sabesp | Foto: Divulgação/Prefeitura de Franca

O gás é então captado e armazenado em um grande balão-reservatório, antes de ser bombeado para um container, considerado o “coração” do sistema. Lá, passa por um tratamento rigoroso que elimina gás carbônico (CO2), gás sulfídrico (nocivo aos motores) e o excesso de umidade, entre outros. O resultado é o biometano, um combustível limpo, renovável e de alta eficiência energética.

“É um processo, basicamente, de purificação. Ao invés de lançar o biogás no meio ambiente, nós purificamos e transformamos o que seria, a princípio, um resíduo, em produto”, explica Gilson.

É possível replicar o projeto?

Atualmente, a ETE Franca é a única do Estado de São Paulo responsável por transformar o esgoto doméstico em energia limpa. Entretanto, segundo Gilson Santos, o projeto possui potencial para servir de exemplo e ser replicado em Estações de Tratamento de Esgoto de todo o país.

“O equipamento de Franca era uma ideia de caráter experimental, justamente para replicar o projeto em outras instalações além dessa. Portanto, em toda planta de esgoto que gere o biogás é possível transformá-lo em biometano, ou mesmo outra fonte de energia. O necessário é que o tratamento de esgoto gere o biogás”, conclui o gerente.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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