“Precisamos repensar as relações de trabalho”

Entrevista com Francisco de Assis das Neves Mendes

As relações de trabalho passaram por mudanças disruptivas recentes e novas formas de trabalho foram estabelecidas muito por conta da pandemia da Covid-19 e seus desafios: o teletrabalho, trabalho híbrido e utilização da inteligência artificial já disponível no mundo para recrutamento e seleção. Estes são alguns temas que estarão na pauta do 16° Encontro de Relações Trabalhistas e Negociações Sindicais, evento marcado para acontecer nos dias 06 e 07 de junho em São Paulo. O evento realizado anualmente reúne profissionais qualificadíssimos que aceitam palestrar e debater temas subjetivos de forma pragmática e objetiva, além de apresentar conceitos, tendências e esclarecer dúvidas na área de RH. Pensador e estudioso da Gestão, Liderança, Desenvolvimento de Pessoas, Relações Trabalhistas, Inovação e Empreendedorismo, Francisco de Assis das Neves Mendes, tem uma carreira profissional de 35 anos desenvolvida em grandes multinacionais nas áreas de RH, Relações Trabalhistas e TI. Assis coordena o painel “Repensando as relações de trabalho, novas formas de trabalho e seus desafios – Palestra: Repensando as Relações de Trabalho para o Século 21”. Confira:    

Por Fabiola AbessColuna Follow-up*
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Follow-Up – O RH passou por uma revolução durante essa pandemia por conta da necessidade do distanciamento físico em consequência da pandemia de Covid-19. Como foi o impacto da pandemia nas relações trabalhistas dentro das grandes empresas?

Francisco de Assis das Neves Mendes – As empresas tiveram que se adaptar à realidade imposta pela COVID-19, sendo que a suspensão de contratos , férias coletivas e o teletrabalho foram algumas das estratégias para manter parcialmente as atividades funcionando. No início foi bastante desafiador para empresas e colaboradores, e foi necessário toda uma logística para oferecer estrutura computacional para Home office, e do lado colaborador, uma insegurança inicial de posterior perda do emprego e uma mudança de mindset de trabalho em equipe para um desempenho individual.

FUP – Qual tem sido o maior desafio do RH na indústria? Como ficarão as relações de trabalho nas empresas após a disseminação irreversível do home office  com a adoção de novas tecnologias para o teletrabalho? 

FANM – Vejo que após a pandemia, uma das estratégias que deverão ser aplicadas é o teletrabalho em formato híbrido para áreas administrativas. Além do teletrabalho, modalidade de banco de horas, horários flexíveis e novos formatos de contratos de trabalhos e gestão de benefícios, vieram para ficar, e vai requerer uma mudança de mindset das lideranças nas organizações.

FUPEm 2020, em plena pandemia, foi lançado o livro GESTÃO DO RH 4.0 do qual você foi co-autor com 15 artigos que se propõem a repensar a Gestão do RH, por meio de uma abordagem mais contemporânea. Quais foram as principais mudanças nas empresas com a implementação da Gestão do RH 4.0.

FANM – Estamos vivendo um movimento disruptivo, onde tivemos uma evolução do mundo VUCA(volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).2  para o mundo BANI,(Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible, ou seja, Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível) se faz necessário um repensar das relações de trabalho e seus novos fenômenos sociais, como: choque de gerações, diversidade, síndrome de Burnout, transformação digital e flexibilidade nas formas de trabalho. Neste contexto, precisamos urgentemente, desenvolver profissionais com competências estratégicas para atuar na área de relações trabalhistas e sindicais.

FUP – O conhecimento das relações trabalhistas e sindicais é tema de outro livro, obra que contou com sua coordenação e coautoria, o “Relações Trabalhistas e Sindicais – Teorias, Estratégias e Cases”. Em se tratando de indústrias, onde a quantidade de funcionários chega a alcançar até 4 dígitos, onde temos como exemplo a própria Moto Honda da Amazônia, maior empregadora no PIM, qual o papel estratégico deste profissional de RH no segmento?

FANM – A concepção do livro “Gestão do RH 4.0” surgiu a partir da reflexão inicial do uso das tecnologias da indústrias 4.0 no processo produtivo, e em seguida pela análise da adoção dessas tecnologias nos diversos processos de gestão de RH, como o uso da inteligência artificial em processo de recrutamento e seleção.

FUP – Nos dias 6 e 7 de junho próximos, será realizado o 16° Encontro Anual de Relações Trabalhistas e Relações Sindicais, em São Paulo, evento que conta com a sua participação como palestrante com o tema “Repensando as Relações de Trabalho para o Século 21”. Qual a expectativa para o evento e o que pretende apresentar?

FANM – O evento reunirá os mais renomados profissionais de relações trabalhistas e sindicais do Brasil para discutir os desafios e oportunidades acerca das relações de trabalho, dentre eles, novas jornadas e contratos de trabalho, adoecimento no trabalho, Compliance trabalhista, LGPD nas relações de trabalho, choque de gerações e muitos outros. Estarei conduzindo a palestra “Repensando as relações de trabalho no século XXI”. O evento será a oportunidade para grandes insights para melhoras no mundo do trabalho. Afinal, com as lições da pandemia, e com o novo normal, precisamos repensar as relações de trabalho.

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Francisco Mendes é vice-presidente da ABRH-Amazonas, Gestor de Relações Trabalhistas da Moto Honda da Amazônia 
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Fabiola Abess é assessora de imprensa do CIEAM. Especialista em Comunicação Empresarial e Mídias Sociais e Bacharel em Turismo.

A Coluna Follow-up é publicada às quartas, quintas e sextas feiras pelo jornal Jornal do Comercio Amazonas sob a responsabilidade do CIEAM Centro da Indústria do Estado do Amazonas, sob a coordenação editorial de Alfredo Lopes, consultor da entidade e editor-geral do portal BrasilAmazoniaAgora 

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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