PPB e os embaraços do desemprego

Chega de prazos e vetos. Ficamos 5 anos para liberar o PPB de uma indústria para produção de medicamentos genéricos a partir de nossa diversidade biológica. Isso não tem lógica nem pudor, nem razão para continuar a nos empobrecer e desempregar. Alto lá!!!

Nelson Azevedo
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Quem fabricou o primeiro celular e o primeiro computador de mesa no Brasil? Pois é… foi o polo industrial de Manaus. A lista de produtos que substituiu os importados e ofereceu ao país itens de alta tecnologia a preços mais em conta tem meio século. Por isso, em todos os lares do Brasil as gaivotas da ZFM entregam o melhor do que se faz em nosso país. E qual a razão para combater de todas as formas um programa de desenvolvimento regional com tantos acertos e que, de quebra, contribui efetivamente para a proteção florestal amazônica? Esse combate sem sentido tem nome e sigla e se chama PPB, o Processo Produtivo Básico, uma anomalia burocrática que está associada ao desemprego no Amazonas, e que obriga o país a gerar emprego em outras freguesias.

Amazônia 4.0

O veto disfarçado da diversificação e adensamento do Polo Industrial de Manaus, chamado PPB, impediu que este embrião de uma indústria de ponta no meio da floresta evoluísse para parques tecnológicos e industriais para exportar tecnologia, em vez de sermos – cada vez mais – meros consumidores dos insumos e produtos de quem investiu em evolução industrial. Por isso, além das commodities do agronegócio poderíamos estar produzindo drones, semicondutores, labs-on-chip, laboratórios portáteis para mapear a biodiversidade, numa palavra, pacotes tecnológicos coerentes com nossa vocação de negócios e nossa capacidade fabril instalada. Amazônia 4.0 é a saída para a proteção florestal e prosperidade econômica e socioambiental.

Amazônia 4.0
Foto: Instituto Arapyaú

Leia também: 5G e a denominação de origem da Amazônia 4.0

Diversificação fabril

Por que o Amazonas tem apenas 0,6% dos estabelecimentos industriais do Brasil, se a economia que emana da indústria não ameaça a ecologia que tanto presta serviços ambientais ao país e ao planeta? Simplesmente porque existe este embargo burocrático criado para enfraquecer/esvaziar os ensaios evolutivos e desempenho positivos do programa Zona Franca de Manaus, sua consolidação fabril e a diversificação de suas cadeias produtivas.

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Foto: Márcio Gallo/Suframa

Comando, auditoria e controle

Não importa quem inventou ou quem mantém essa inconstitucionalidade chamada PPB e a quem beneficia essa restrição socioeconômica a um programa de desenvolvimento regional focado na redução das desigualdades entre o Norte e o Sul do país. Isso é tarefa dos órgãos de comando, auditoria e controle da República. A nós compete assegurar a liberdade de produzir com responsabilidade como temos feito décadas a fio em perfeita harmonia com a proteção florestal.

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Foto: Divulgação

Mutirão interinstitucional

Cumpre-nos, setor privado, poder municipal, estadual e federal aqui instalado – em ritmo de mutirão cívico – abolir essa anomalia de uma vez por todas, posto que nada há de benefícios em sua manutenção. E se a Carta Magna do país restringe apenas 5 produtos na compensação fiscal para quem investe no Amazonas ( armas e munições, perfumes, automóveis de passeio, cigarros e bebidas alcoólicas), vamos respeitar a Carta Magna.

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Foto: Flickr

Autonomia administrativa e financeira

É preciso, entretanto. repor, urgentemente, a autonomia administrativa e financeira do CAS, o Conselho de Administração da Suframa. Aqui, com representação dos ministérios, dos governadores dos estados e prefeitos das respectivas capitais da Amazônia Ocidental, mais o Amapá, sabemos e saberemos decidir o que pode e não pode ser produzido em Manaus, respeitando a lei e o interesse maior do país. Brasília é a capital administrativa do país, assim como a Suframa é nossa agência promotora de investimentos e gestora da indispensável contrapartida fiscal que esta região remota exige e merece para poder proteger nossas riquezas naturais e, principalmente, nossa gente.

O que é a Suframa?
Foto: Divulgação/Suframa

Chega de vetos!

Dispensamos a tutela à distância. Temos gestores qualificados, projetos bem desenhados e clareza aonde queremos chegar. É significativo e elogiável que o Congresso Nacional crie prazos mais curtos para liberação do tal PPB, feita por burocratas distantes de nossa rotina laborativa e construtiva, comprometida no propósito de fazer o melhor. Prazos para ninguém respeitar, porém, não vale a pena criar. Chega de prazos e vetos. Ficamos 5 anos para liberar o PPB de uma indústria para produção de medicamentos genéricos a partir de nossa diversidade biológica. Isso não tem lógica nem pudor, nem razão para continuar a nos empobrecer e desempregar. Alto lá!!!

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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