Por que o Amazonas parou?

Num mundo em que o conceito de mudança virou o maior critério de objetividade e tomada de decisão, quem pára não fica no mesmo lugar. Começa a andar pra trás. Abundância perversa e gestão desastrosa, eis a primeira suspeita desta complicada prosa.  E pensar que este é um Estado que já integrou o topo do ranking da economia nacional no Ciclo da Borracha e bateu recordes de crescimento nos anos 90, chegando a recolher 3 vezes mais do que recebe da União Federal. E hoje não integra nenhuma pesquisa como um Estado capaz de   “… realizar uma gestão pública de qualidade”. Perdemos para o Acre, um vizinho para quem sempre olhamos de cima pra baixo, com a arrogância de quem sempre se achou a Joia da Coroa. E o que dizer de Rondônia, um ex-território federal empoeirado, que hoje reúne, proporcionalmente, a maior concentração de empreendedores milionários do país, com o maior acerto tecnológico na produção nacional de alimentos.  Ora, se o Amazonas tinha antes da crise um portfólio com a concentração de tanta riqueza, por que foi transformado em exportador líquido de recursos para a União, ainda hoje tem 11 municípios entre os 50 piores IDHs do Brasil. Tudo sugere que o Amazonas gastou mais do que devia e, em lugar de administrar, maltratou sua base econômica, comprometendo a construção de sua prosperidade econômica e social.

Vamos aos fatos: não há como ignorar que a criação da UEA, Universidade do Estado do Amazonas, é o maior legado da Indústria da ZFM para este Estado. Aquilo, porém, que deveria ser o foco central de uma academia trabalhando passo a passo com a economia, ainda está longe da realidade. O confisco de suas verbas para outros fins e a definição não partilhada com a sociedade de seu perfil, de suas prioridades, a avaliação pública de seus resultados, são alguns dos desafios que perduram. Faltou compatibilizar academia, economia e vocação de negócios no interior, numa atuação integrada entre os entes públicos e a sociedade. Hoje, a gestão do narcotráfico e suas mazelas são mais eficientes, daí a violência e a incompetência pública para gerir seu esvaziamento. Muitos recursos e ausência perversa da gestão participativa são a chave desta desastrosa equação.

Sem gestão não há competitividade nem produtividade em qualquer ensaio empreendedor. O critério de competitividade que explica o sucesso ou o fracasso de uma gestão tem algumas premissas, onde a mais vital é o capital humano, que se baseia no investimento – necessariamente – em educação de qualidade. Gastamos muito e colhemos frutos indigestos. Somos campeões nacionais em desvios e desperdícios de recursos para o ensino.

No caso do Amazonas, padecemos de eficiência e transparência da máquina pública, transformada num fim em si mesma ou em moeda de troca da guerra eleitoral. Outros fatores decorrem destes pilares corroídos. A precariedade da infraestrutura, por exemplo. Não temos um porto público e a própria sociedade tratou de impedir a modernização portuária de atores privados. Chegaram a ponto de contratar supostas celebridades, subitamente convertidas ao patrimonialismo ambientalista  para “impedir a destruição do Encontro das Águas”. Conseguiram resguardar o atraso e locupletar o duopólio portuário que impõe suas regras com amparo oficial. O mesmo se deu com a energia e as comunicações.

Com a gestão improvisada e aloprada do bem comum, a abundância dos recursos não se traduziu em inovação, diversificação produtiva e interiorização de oportunidades. Hoje, com uma segurança pública desastrosa, saúde nas páginas policiais, temos um polo industrial se esburacando com a violência e o descaso. De quebra, as ameaças de mudanças na política fiscal, reforçam a insegurança jurídica dos empreendedores aqui instalador enquanto inibe o aporte de novos aportes de projetos. Ou seja, fica, também ameaçada a   solidez fiscal, base da sustentabilidade ambiental e social que nos dá suporte. Arrumar a casa não se esgota nos robustos investimentos da publicidade. As soluções são coletivas, a gestão tem que ser participativa, a aplicação de recursos transparente e seu resultado coerente com a abundância de soluções. Padecemos de planejamento, controle da gestão financeira e espírito público, solidário e inovador… Por favor!

(*) Alfredo é filósofo e ensaísta
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Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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