Tecnologia dinamarquesa converte resíduos de plástico PET em pó capaz de capturar CO₂, criando solução contra poluição plástica e mudanças climáticas
Na Dinamarca, pesquisadores da Universidade de Copenhague desenvolveram uma técnica inovadora para enfrentar dois desafios ambientais: o excesso de resíduos plásticos e a concentração de gases de efeito estufa. A equipe conseguiu converter plástico PET — presente em garrafas, tecidos e embalagens — em um material capaz de capturar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.
Os resultados, publicados na revista Science Advances, descrevem como o processo químico de “upcycle” transforma o PET descartado em um pó batizado de BAETA. Esse pó pode ser moldado em pellets e tem superfície adaptada para se ligar ao CO₂ com alta eficiência.
O plástico PET, que contém cerca de 60% de carbono, é decomposto em moléculas menores, criando uma estrutura capaz de “puxar” o gás da atmosfera. Quando saturado, basta aquecê-lo para liberar o CO₂ em concentração elevada, que pode ser armazenado com segurança ou reaproveitado em processos industriais.
Segundo os cientistas, o BAETA é estável e resistente, operando em temperaturas que variam do ambiente até 150 ºC. Essa característica amplia seu potencial de aplicação, permitindo o uso em diferentes etapas da cadeia industrial, inclusive nas chaminés, filtrando o CO₂ antes de ser lançado no ar.
A técnica também contribui para reduzir o acúmulo de plástico PET, um problema global. Estima-se que 6,3 bilhões de toneladas de plástico já se tornaram resíduos e mais de 90% desse total se acumula em aterros ou no ambiente.
Com o novo processo, até resíduos de baixa qualidade podem ser aproveitados. O resultado é um impacto duplo: menos plástico poluindo ecossistemas e mais eficiência no combate às mudanças climáticas.
O objetivo agora é escalar a tecnologia. Os pesquisadores buscam investidores para produzir o BAETA em grande escala e instalar sistemas de captura em fábricas.