Planta da medicina popular tem sua eficácia comprovada por cientistas contra inflamações

Resultados promissores fortalecem o diálogo entre ciência e medicina popular na busca por tratamentos naturais e valorização da biodiversidade nacional.

Um estudo experimental conduzido por cientistas da UFGD, Unigran, Unicamp e Unesp confirmou os efeitos anti-inflamatório, analgésico e antiartrítico da Alternanthera littoralis, planta nativa do litoral brasileiro, conhecida como periquito-da-praia. Utilizada na medicina popular para tratar inflamações, infecções e parasitoses, a espécie passa agora a contar com evidências científicas que reforçam seu potencial terapêutico.

A pesquisa, publicada na revista Journal of Ethnopharmacology, analisou o extrato etanólico das partes aéreas da planta e identificou os principais compostos bioativos, ou seja, as substâncias responsáveis pelos efeitos terapêuticos. Os cientistas testaram esse extrato em modelos experimentais de artrite.

Os resultados mostraram que o uso da planta ajudou a reduzir o inchaço, melhorar a mobilidade das articulações e controlar substâncias ligadas ao processo inflamatório. Esses efeitos sugerem que o extrato tem ação antioxidante e pode proteger os tecidos contra danos.

Frascos com extratos vegetais e folhas em bancada de laboratório, representando pesquisas sobre medicina popular.
Estudo com extrato de planta da medicina popular brasileira mostra potencial contra inflamações e dores articulares. Foto: Mohamed Hassan/Pixabay.

De acordo com a professora Arielle Cristina Arena, da Unesp de Botucatu, os testes de segurança indicaram que a planta tem um bom perfil toxicológico quando usada em doses terapêuticas. Porém, ela ressalta que ainda não é possível recomendar o uso clínico da planta. Para isso, será necessário realizar novos testes de segurança, estudos com seres humanos e padronizar o extrato vegetal, garantindo que ele tenha sempre a mesma composição e qualidade.

O estudo representa um avanço importante na validação científica de espécies usadas na medicina popular. Ao estabelecer uma base de evidências para o uso da A. littoralis, os pesquisadores reforçam a importância de investigar os saberes tradicionais com rigor metodológico.

“Nosso propósito é valorizar a biodiversidade brasileira e o conhecimento tradicional, mas com base científica rigorosa, promovendo o uso seguro e racional de produtos naturais”, afirma Arena.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Escutar para acolher e servir

Escutar as pessoas. Escutar as comunidades. Escutar os servidores....

Quando Manaus cresce, São Paulo fatura

A expansão da Zona Franca não retira empregos do Sudeste. Muito pelo contrario. Amplia encomendas para a indústria paulista, fortalece a segurança hídrica do agronegócio e preserva a floresta que abastece de chuva os reservatórios brasileiros.

Primeiro leilão de baterias impulsiona indústria nacional e geração renovável

Leilão de baterias prioriza indústria nacional e projetos em MG e no Nordeste para ampliar armazenamento de energia limpa no Brasil.

Folclore amazônico revela como lendas ajudam a proteger a biodiversidade 

Folclore amazônico revela como lendas sobre rios, florestas e animais ensinam limites, preservação da biodiversidade e respeito à natureza.

PARA A ABRACICLO, O MAIO AMARELO É PROGRAMA DO ANO INTEIRO, DA VIDA INTEIRA

Para a entidade Abraciclo, representante de um setor fabril...