Petróleo na Foz do Amazonas: Marina Silva rebate comparação com Belo Monte

Ao defender exploração de petróleo na Foz do Amazonas, Marina Silva destaca diferenças no licenciamento ambiental e diz que etapa atual é apenas exploratória, com exigência de estudos e controle técnico.

A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina, Silva afirmou que a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a exploração de petróleo na Foz do Amazonas representam projetos distintos do ponto de vista socioambiental, apesar de ambos integrarem a expansão da política energética brasileira.

Segundo ela, a principal diferença está no processo de licenciamento. “A licença de Belo Monte não foi dada por mim. Durante a minha gestão, foi encaminhada para estudos. No caso da margem equatorial, o processo passou por todos os crivos necessários do Ibama. É uma licença que foi negada duas vezes e só na terceira, com toda a autonomia dos técnicos, foi dada, e para prospecção. A licença de Belo Monte já foi diretamente para o empreendimento”, declarou. A fala reforça a crítica de que Belo Monte avançou diretamente para a fase de implementação, enquanto o petróleo na Foz do Amazonas segue, até agora, limitado à etapa de prospecção.

Vista aérea da Usina de Belo Monte, no Pará, destacando impactos socioambientais na região amazônica
Usina de Belo Monte (PA). Foto: Roney Vieira/Norte Energia/Creative Commons

Autorizada em 2011, a usina de Belo Monte (PA) foi concebida como solução para a demanda energética do Norte do país. No entanto, o empreendimento se tornou um dos mais controversos do setor. O desvio do rio Xingu provocou impactos profundos, como a mortandade de peixes e a redução da disponibilidade de alimento para comunidades ribeirinhas. Além disso, sua geração efetiva de energia tem sido inferior à capacidade instalada de 11.233 megawatts, especialmente em períodos de seca, como nos anos de 2023 e 2024 em que a produção chegou a apenas 3% do potencial.

Já em relação à exploração de petróleo na Foz do Amazonas, região marítima próxima ao Amapá, Marina Silva ressalta que o projeto ainda está em fase inicial. O Ibama negou o licenciamento em duas ocasiões antes de autorizar, com condicionantes, a perfuração exploratória. Essa etapa busca apenas verificar a viabilidade econômica do petróleo na região, sem autorização para exploração comercial.

Para Marina, essa diferença abre espaço para a construção de uma governança socioambiental mais robusta. Ela defende a criação de unidades de conservação no entorno dos projetos e a realização de estudos mais amplos, como a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), que considera impactos cumulativos e regionais e não apenas efeitos diretos da atividade.

Apesar disso, o avanço do petróleo na Foz do Amazonas levanta questionamentos, sobretudo em um contexto de crise climática e necessidade de redução do uso de combustíveis fósseis. A possível abertura de uma nova fronteira petrolífera no Brasil gera críticas de especialistas, que apontam os possíveis impactos socioambientais.

Imagem de satélite da foz do rio Amazonas mostrando sedimentos no oceano Atlântico, área sensível ao petróleo na Foz do Amazonas
Especialistas ressaltam a sensibilidade ecológica da região onde avança a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Foto: Arayara

Marina reconhece o desafio, mas destaca que cabe ao Ministério do Meio Ambiente garantir a viabilidade ambiental dos projetos, enquanto decisões estratégicas sobre exploração energética são atribuídas ao Conselho Nacional de Política Energética.

Ao abordar o cenário político, a ex-ministra defendeu que o debate climático ganhe centralidade nas eleições de 2026. Para ela, o processo eleitoral será decisivo para consolidar avanços recentes na agenda ambiental e evitar retrocessos, especialmente diante de pressões por flexibilização de regras e exploração de recursos naturais.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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