Novo estudo detecta 13 pesticidas em rios da Amazônia

O fipronil, um dos pesticidas banidos da União Europeia e diversos outros países por sua toxicidade ambiental e risco à saúde humana, apareceu acima dos limites em 33% das amostras

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP identificaram a presença de 13 pesticidas em concentrações significativas em amostras de água coletadas de áreas urbanas e comunidades ribeirinhas dentro da Bacia Amazônica, inclusive em áreas preservadas.

A análise envolveu 21 agrotóxicos comumente utilizados no Brasil. O inseticida fenitrotion foi o mais detectado, com taxa de 78%, seguido da cipermetrina (63%). O fipronil, banido da União Europeia e diversos outros países por sua toxicidade ambiental e risco à saúde humana, apareceu acima dos limites em 33% das amostras.

Os dados foram publicados na revista Environmental Research e evidenciam o risco da contaminação da água por agrotóxicos, com possíveis impactos severos para a biodiversidade e populações locais.

Agrotóxicos podem causar danos ao solo, ar e água.
Agrotóxicos podem causar danos ao solo, ar e água | Foto: divulgação

Mesmo as amostras “limpas”, com apenas um composto identificado, ainda apresentam riscos ambientais e à saúde humana. “É importante ressaltar que a área em que o estudo foi aplicado é habitada por diferentes comunidades ribeirinhas da Amazônia. É por isso que nós também avaliamos o risco, não cancerígeno, desses indivíduos desenvolverem algum efeito tóxico”, afirma Gabriel Neves Cezarette, responsável pelo estudo, ao Jornal da USP.

Embora os níveis de praguicidas detectados na água não apresentem riscos imediatos ao consumo geral, os pesquisadores alertam para a ausência de avaliação em grupos vulneráveis como crianças, idosos e gestantes, que podem ser mais suscetíveis a efeitos adversos. Cezarette destaca que os testes consideraram apenas uma via de exposição — o consumo direto da água —, mas a população provavelmente também entra em contato com esses pesticidas por meio de outras fontes, especialmente a alimentação, o que pode ampliar o risco de intoxicação crônica ou efeitos subclínicos.

A população provavelmente também entra em contato com esses pesticidas por meio de outras fontes, especialmente a alimentação.
A população provavelmente também entra em contato com esses pesticidas por meio de outras fontes, especialmente a alimentação.

Esses compostos, embora aplicados no solo, podem se dispersar por evaporação, escoamento superficial ou infiltração, atingindo rios, lagos e aquíferos. Na Amazônia, os rios — essenciais para o transporte agrícola — acabam funcionando como corredores para esses resíduos, que se acumulam e podem interagir, provocando efeitos sinérgicos prejudiciais ao ecossistema e à população local. Essa contaminação silenciosa compromete a biodiversidade, eleva a resistência das pragas e representa um risco potencial, sobretudo nas comunidades ribeirinhas.

Bioinsumos podem ser alternativa sustentável

Diferentemente dos pesticidas sintéticos, os bioinsumos representam uma alternativa sustentável e promissora para a agricultura. Compostos por microrganismos, extratos vegetais, biofertilizantes, biodefensivos e bioestimulantes, esses produtos de origem biológica atuam no controle de pragas e doenças, além de contribuírem para a nutrição do solo e o crescimento das plantas.

Segundo o pesquisador Cezarette, embora haja ressalvas quanto ao uso desses insumos, existe um potencial para tornar as lavouras mais sustentáveis. O Brasil, por sua relevância no setor agrícola, tem potencial para liderar globalmente a adoção dos bioinsumos, combinando alta produtividade com menor impacto ambiental.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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