Pesquisa mostra como é possível gostar de matemática

A afinidade com a matemática costuma ser questionada ao longo da vida, ao ponto de muitos de nós desenvolvermos traumas com o estudo da disciplina. Contudo, pesquisadores estão empenhados em estudos para desmistificar a ideia de que não nascemos para os números.

Especialistas apontam que uma das razões prováveis para esse temor com a matemática pode estar na maneira como ela é ensinada. Em entrevista à BBC, Jo Boaler, autora de uma pesquisa sobre o tema na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirmou que a disciplina é dada aos alunos de uma maneira chata, o que causaria o afastamento das pessoas.

Estímulos positivos facilitam ensino da matemática

29092648811075
(Fonte: Pexels)

Um dos pontos destacados na pesquisa conduzida por Jo Boaler e exposto em seu livro Mente Sem Barreiras (Penso, 2019; 228 páginas), o uso de métodos criativos é visto por vários especialistas como preponderante ao ensino moderno da matemática.

Isso porque o acréscimo de desenhos, cubos e objetos coloridos, além do incentivo ao trabalho criativo em equipe, facilita a assimilação do conteúdo. E Boaler vai além: para a pesquisadora, os erros que alunos cometem durante o aprendizado devem ser exaltados e não condenados.

De acordo com a autora, quando um estudante é repreendido por um erro cometido no estudo matemático, há uma tendência a que desistam de aprender por não se consideraram aptos à aquisição de conhecimento na área. A isso, Boaler acrescenta que o aprendizado não deve priorizar a rapidez na transmissão do conteúdo.

Cérebro se aproveita dos erros

29092831046076
(Fonte: Pexels)

Ninguém tem prazer em cometer erros, mas a ciência já descobriu que, apesar de ruim para o moral, é um momento de expansão do cérebro. A pesquisadora defende que errar é parte substancial e importante da aprendizagem, pois indica que nosso cérebro está fazendo esforço e as sinapses estão trabalhando.

O cérebro humano se fortalece e expande quando aprendemos algo novo, e esse processo nem sempre é simples. Por esse motivo, criar experiências de aprendizado aos indivíduos que estudam a matemática auxiliaria a compreensão dos conteúdos e transmitiria uma sensação fundamental ao aprendizado de qualquer coisa: a confiança de que você é capaz.

Ou seja, qualquer pessoa é apta a aprender matemática — e tudo mais o que desejar. E isso é confirmado pela neurociência, que também defende a necessidade de que estudantes estejam confortáveis, inclusive emocionalmente, para se sentirem desafiados pelo aprendizado, não ameaçados.

Ensino da matemática no Brasil é desafiante

29095103633085
(Fonte: Pexels)

O ensino da matemática é considerado difícil por estudantes brasileiros. De acordo com dados do exame Prova Brasil de 2017, oito em cada dez alunos do país concluíram o ensino fundamental sem adquirir conhecimento mínimo esperada para a disciplina.

O resultado brasileiro no PISA, exame internacional que testa conhecimentos de alunos de 15 anos, foi pífio: 66º lugar entre 70 países analisados. Isso impõe às autoridades do país o desafio de tornar o ensino da matéria mais acessível.

E para a pesquisadora Jo Boaler, isso precisa começar com o professor. Para Boaler, é dele o papel de mostrar aos estudantes que eles são, de fato, capazes de aprender e, para tal, devem ser incentivados a desenvolver seu potencial, como mostram as evidências neurocientíficas.

Fonte: Mega Curioso

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Infraestrutura, o debate da hora no Amazonas

"Ao reunir TCE-AM e TCU para discutir o Custo...

A Argentina é logo ali

"A presença de Javier Milei no palanque de Flávio...

O Nobel de Navi Pillay e o avanço da impunidade

"A escolha da jurista sul-africana Navi Pillay recoloca a...

Terras indígenas na mira: o que Flávio Bolsonaro propõe e o que temem os Yanomami 

Flávio Bolsonaro defende exploração econômica de terras indígenas e rejeita demarcações em MT. Mulheres Yanomami alertam para riscos.

Populações de animais selvagens recuam 73% em 52 anos, aponta relatório do WWF 

Relatório do WWF alerta para a perda de biodiversidade: populações de animais selvagens monitoradas recuaram, em média, 73% entre 1970 e 2022.